A crise “não é algo que vai desaparecer depressa” e “é preciso aumentar a ajuda no próximo mês, que vai ser crítico”, referiu numa reunião via Internet de dirigentes de agências das Nações Unidas e representantes de diferentes países.

No encontro, aquela responsável agradeceu pela “diplomacia humanitária” exercida dentro e fora de Moçambique, bem como às autoridades moçambicanas por um “diálogo constante” que permitiu melhorar o processo de atribuição de vistos para especialistas da ONU entrarem no país e ajudarem nas operações humanitárias.

“Tem havido melhorias [na atribuição] de vistos para as Nações Unidas”, referiu, acrescentando que é preciso também cuidar do mesmo tipo de processo para as organizações não-governamentais (ONGs).

“Mas o que vejo [por parte das autoridades] é uma vontade de resolver os assuntos pendentes e a plataforma que foi criada está a discuti-los”, sublinhou, numa alusão a uma plataforma criada para coordenação entre ações civis e militares.

Trata-se de um grupo que está também a tentar ultrapassar as dificuldades de acesso humanitário a zonas de conflito ou controladas por militares.

“O acesso é outro desafio e nisso vejo que a plataforma para coordenação civil e militar está a abrir [caminho] e a desenvolver-se. Precisamos de ir para Afungi e áreas em redor”, sublinhou, assinalando que “há um diálogo intenso” e que as últimas visitas de dirigentes da ONU ao país “têm ajudado” a desbloquear a situação.

A península de Afungi, onde estava a ser instalado o maior investimento privado de África para exploração de gás, é uma das zonas que acolhe milhares de deslocados da vizinha vila de Palma e que precisam de alimentos e cuidados básicos.

“Só espero que não tenhamos outro ciclone na próxima época” de tempestades, a partir de outubro, referiu aquela responsável, realçando que “as chuvas podem ser devastadoras sem eles”.

Myrta Kaulard destacou ainda a abertura e compreensão do Ministério Público em Cabo Delgado para fazer face aos casos de abusos e exploração sexual entre deslocados.

O conflito armado em Cabo Delgado, norte de Moçambique, continua a agravar-se, alertou a ONU num ponto de situação divulgado a meio da semana – documento em que se queixou de um subfinanciamento crítico das agências humanitárias.

Depois do ataque a Palma, em 24 de março, a violência naquele distrito mantêm-se e o total de deslocados só daquela área ascende a 68.000 pessoas.

Grupos armados aterrorizam a província desde 2017, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico, numa onda de violência que já provocou mais de 2.800 mortes segundo o projeto de registo de conflitos ACLED e 732.000 deslocados de acordo com a ONU.

Ainda segundo a ONU, mais de 900.000 pessoas estão sob insegurança alimentar severa em Cabo Delgado e as comunidades de acolhimento estão também a precisar urgentemente de abrigo, proteção e outros serviços.

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