"Em vez de participar no Festival Eurovisão da Canção 2020, vamos apoiar produções valiosas de música pop criadas por talentos húngaros", respondeu a televisão estatal ao The Guardian quando questionada sobre a decisão.

Apesar de não ter sido apresentada uma justificação oficial para a não participação na edição do próximo ano, a decisão tem lugar numa altura em que a retórica anti-LGBT aumenta na Hungria.

O primeiro-ministro de direita Viktor Orbán lançou recentemente uma campanha "família primeiro" que visa incentivar as famílias tradicionais a aumentar o número de filhos que têm. Este ano, um porta-voz do parlamento Húngaro comparou adoções por casais do mesmo sexo a pedofilia. O comentador televisivo Andras Bencik referiu-se à Eurovisão como uma "flotilha homossexual", acrescentado que não participar do evento beneficia a saúde mental da nação. Em agosto, membros do partido de Orbán, o Fidesz, incentivaram um boicote à Coca-Cola por causa de uma campanha que promovia a tolerância para com homossexuais — "Zero açúcares, zero preconceitos", era o slogan.

Segundo uma fonte da televisão estatal húngara, apesar de não ter sido comunicado aos funcionários o que conduziu a esta decisão, estes acreditam que estará relacionado com a cultura LGBT+ do evento. Um site húngaro index.hu citou fontes (não identificadas) dentro dos media estatais que referem mesmo que a razão por detrás da decisão é o facto de o evento ser "demasiado gay".

Zoltán Kovács, porta-voz de Orbán recusou esta afirmação, dizendo que o site húngaro publicou "fake news" (notícias falsas), mas não adiantou qualquer outra justificação.

Quando um deputado da oposição questionou o governo sobre a decisão de o país não participar na Eurovisão no próximo ano, este respondeu que a decisão coube aos media estatais, sem intervenção do governo — no entanto, os media estatais são muito próximos do governo, sendo instrumentais para transmitir as suas mensagens.

Esta não é a primeira vez que a Hungria não participa do evento, mas desde 2011 que se fazia representar todos os anos.

Questionada sobre a decisão húngara, a responsável pela organização do evento, a União Europeia de Radiodifusão, disse apenas que "não é pouco comum que alguns membros tenham interrupções nas participações no Festival da Canção da Eurovisão. Desde a sua primeira participação, em 2014, a Hungria não esteve presente em oito ocasiões".

Apesar do afastamento do certame europeu, o concurso nacional da canção húngaro vai permanecer. Neste caso, em vez de o vencedor representar o o país na Eurovisão, terá a possibilidade de atuar em vários programas e festivais nacionais.

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