Já são dois os deputados que se juntaram ao Chega depois de abandonarem o grupo parlamentar do PSD.

O primeiro foi o antigo deputado António Maló de Abreu, que na semana passada foi confirmado pelo presidente do Chega, André Ventura, como um dos cabeças de lista do partido para as eleições legislativas, uma semana após o social-democrata ter excluído esse cenário ao SAPO24.

Já esta segunda-feira foi a vez de Rui Cristina, quinto candidato na lista do PSD pelo distrito de Faro às legislativas de 10 de março, encabeçada pelo vice-presidente social-democrata Miguel Pinto Luz, depois de ter sido o número dois nas eleições de 2022.

“Fica patente existir na atual liderança do PSD uma maior preocupação com ajustes de contas internos, imposição de egos que na essência não assumem compromissos sérios com o partido, interessados unicamente numa permanente querela pelo 'poder'”, refere a carta enviada por Rui Cristina ao secretário-geral do PSD a que a Lusa teve hoje acesso.

Questionado pela Lusa sobre a possibilidade de integrar as listas de candidatos pelo Chega, o ainda deputado do PSD, com mais de 20 anos de militância no partido, respondeu que o “futuro exige ponderação e reflexão”.

Porém, alguns momentos depois, já a SIC Notícias anunciava que este está afinal prestes a ser anunciado como cabeça de lista do Chega pelo distrito de Évora, segundo uma fonte do partido obtida pelo canal.

O nome terá sido aprovado já este domingo pela distrital de Évora do Chega.

Numa mensagem de correio eletrónico enviada aos deputados sociais-democratas, Rui Cristina informou ainda que pretende concluir a atual legislatura como deputado não inscrito, alegando que não estão reunidas condições políticas para continuar a integrar e a trabalhar no grupo parlamentar.

Na carta enviada a Hugo Soares a dar conhecimento da sua desfiliação, Rui Cristina, que assumia funções de coordenador do grupo parlamentar na Comissão de Saúde, salientou que se trata de uma decisão pessoal em conformidade com os seus “princípios individuais, morais, ideológicos e partidários”.

“Após uma reflexão profunda e amadurecida pela dor e sofrimento das consequências da mesma, não encontro alternativa que não seja uma rotura para com as decisões tomadas pela direção do partido, que violam a minha integridade de princípios”, alegou.

O texto refere ser do conhecimento geral a “fratura interna que nos últimos tempos tem assolado o Partido Social-Democrata e que hoje manifesta uma diferença inconciliável na estrutura interna do partido, um entrave à necessária estabilidade e prossecução do seu exercício político”.

“Diferenças inconciliáveis devido a uma banalizada instrumentalização do partido em benefício de interesses de pequenos grupos que se revezam, obstaculizando todo e qualquer horizonte de exercício político que se pretenda eficaz”, critica Rui Cristina.

O deputado aponta também a posição das concelhias do Algarve, que “demonstraram a necessária unidade e defesa dos interesses do partido, em contraponto com os órgãos dirigentes que, pela autoridade, impuseram escolhas incompreensíveis em que ressaltam os interesses de grupos”.

Segundo refere, as propostas de solução governamental são “constantemente indexadas à querela interna, sem substância percetível, seja para militantes ou, ainda mais grave, para os portugueses”, que estão “órfãos de uma liderança que se perfile como alternativa num horizonte de credibilidade exequível”.

"Torna-se assim impossível a minha permanência e anuência com este estado de coisas, que poderia resumir no famoso aforismo de Mandeville: 'Vícios privados, benefícios públicos'", escreve Rui Cristina.

Questionado pela SIC esta segunda-feira, André Ventura não confirmou nem desmentiu a notícia de um novo nome nas listas do Chega, mas aproveitou para elogiar o deputado, classificando-o como “um dos melhores do PSD na última legislatura”.

“Acho que o deputado Rui Cristina foi um dos melhores deputados do PSD nesta legislatura, é uma enorme mais-valia e não vou negar que, se fosse essa a vontade dele, para o Chega seria uma enorme mais-valia”, sublinha o líder do Chega, descrevendo-o como um “jovem com imenso potencial e seria uma grande riqueza para o Chega”.

*com Lusa

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