Em comunicado, a comunidade indígena Lower Kootenay anunciou a descoberta destes 182 túmulos perto do antigo colégio St. Eugene, em British Columbia, a província mais ocidental do Canadá.

Esta comunidade explicou que começou a investigação em 2020 e que localizou as sepulturas com recurso a geo-radares, num local próximo à antiga escola, administrada entre 1912 e 1970 pela Igreja Católica, em nome do Estado canadiano.

“Alguns dos restos mortais foram enterrados em sepulturas a cerca de um metro de profundidade”, revelou a comunidade Lower Kootenay, da nação Ktunaxa.

“Todas as crianças indígenas, entre os sete e os 15 anos, foram obrigadas por lei a frequentar escolas em regime de internato e muitas delas receberam tratamentos cruéis e por vezes fatais”, destaca a comunidade na nota.

Estas novas descobertas fazem reviver o trauma de cerca de 150 mil crianças indígenas, que foram isoladas das suas famílias, da sua língua e cultura e alistadas à força até á década de 1990 em 139 daquelas escolas residenciais em todo o país.

Muitas destas crianças foram submetidas a maus tratos ou abusos sexuais e mais de quatro mil morreram naqueles locais, segundo uma comissão de inquérito que alerta para um “verdadeiro genocídio cultural” em nome do Canadá.

Na semana passada, um cemitério com sepulturas anónimas de 751 pessoas foi encontrado junto a um antigo colégio para crianças indígenas na região de Saskatchewan e surgiu apenas um mês depois de ter sido encontrada uma vala comum com restos mortais de 215 crianças em Kamloops, British Columbia.

A Conferência Canadiana de Bispos Católicos revelou que o Papa Francisco concordou em realizar uma reunião em dezembro com os sobreviventes indígenas das escolas residenciais do Canadá, para se desculpar do papel da Igreja Católica nos abusos e mortes.

O Governo do Canadá apresentou formalmente as desculpas pela prática e pelos abusos em 2008, tal como as igrejas Presbiteriana, Anglicana e Unida.

Um pedido de desculpas papal é uma das 94 recomendações da Comissão de Verdade e Reconciliação, embora a conferência dos bispos canadianos tenha referido em 2018 que o Papa não se poderia desculpar pessoalmente pelas escolas residenciais.

Em 2009, o Papa emérito Bento XVI encontrou-se com alguns ex-alunos e vítimas, sublinhando a sua “angústia pessoal” pelo seu sofrimento.

Após a descoberta em maio, o Papa Francisco expressou a sua dor e pressionou as autoridades religiosas e políticas a esclarecerem “este triste caso”, sem apresentou um pedido de desculpas.

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