"Obviamente que daremos conhecimento de imediato se houver algum caso positivo", foi desta maneira que Graça Freitas, na conferência de ponto de situação, esta sexta-feira, sobre o novo coronavírus, anunciou que ainda não nenhum caso positivo em Portugal, salientando que dos casos registados nas últimas horas ainda há "sete ou oito" casos à espera de resultados das análises.

O aumento de casos suspeitos é apontado pela diretora-geral de Saúde como um reflexo da situação italiana. "Os últimos casos apontam para cerca de 650 casos confirmados, 17 óbitos. Isto é sempre muito volátil porque pode mudar à hora. Como sabem, há quatro áreas com transmissão comunitária dos vírus, o vírus circula entre as pessoas e a comunidade. A cidade de Milão é a mais afetada. Há 12 cidades em regime de cordão sanitário, portanto, 12 vilas.”, sublinhou.

Graça Freitas explicou ainda que a grande maioria de pessoas testadas em Portugal vieram de Milão, mas que estas são "apenas a ponta do icebergue". "Recebemos centenas de chamadas nestas últimas 48 horas", constatou.

"Não é preciso beijarmo-nos todos os dias a toda a hora"

Na conferência de imprensa, a diretora geral aconselhou ainda quem esteve em zonas afetadas pelo coronavírus a ter cuidados especiais durante 14 dias. Sublinhando que Portugal é um país de muitos afetos, Graça Freitas disse que “também não é preciso nos beijarmos todos os dias a toda a hora". "Pelo menos as pessoas que vieram de Itália devem, durante 14 dias, conter este afeto tão português”, disse.

Ainda como medidas de prevenção foi sublinhado que o principal ingrediente é o "bom senso", sobretudo por quem viajou para zonas afetadas. As tais "medidas de bom senso" incluem não frequentar locais com muitas pessoas, medir a temperatura duas vezes ao dia e ter atenção aos sintomas apresentados nos 14 dias seguintes à viagem. Como medida geral, Graça Freitas aconselhou ainda as pessoas reforcem a higiene das mãos com água e sabão para “minimizar transmissão a outros”, assim como “espirrar para o cotovelo, nunca para as mãos”, recordando os cuidados do surto de Gripe A que aconteceu há pouco mais de 10 anos.

Além disso, “todos devíamos ter o nosso de plano de contingência individual”, quer no local de trabalho, quer “na nossa família”.

Recorde-se que ontem, quinta-feira, Portugal totalizava 52 casos suspeitos de cororavíus, dos quais 16 se encontram a aguardar resultados laboratoriais. De referir que, entre esses casos, se registou o primeiro nos Açores.

O Covid-19, detetado em dezembro na China e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou pelo menos 2.858 mortos e infetou mais de 83 mil pessoas, de acordo com dados reportados por meia centena de países e territórios.

Das pessoas infetadas, mais de 36 mil recuperaram.

Além de 2.788 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Coreia do Sul, Itália, Japão, Filipinas, França, Hong Kong e Taiwan.

A Organização Mundial de Saúde declarou o surto do Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e alertou para uma eventual pandemia, após um aumento repentino de casos em Itália, Coreia do Sul e Irão.


Acompanhe a evolução de casos confirmados de infeção, mortes registadas e casos de recuperação, em permanente atualização, aqui.


Adriano Maranhão, canalizador no navio de cruzeiros Diamond Princess, foi transferido a 25 de fevereiro para um hospital da cidade de Okazaki, Japão, depois as autoridades japonesas terem confirmado que o português deu teste positivo para infeção por coronavírus.

Um segundo cidadão português está hospitalizado no Japão “por indícios relacionados” com o Covid-19, também tripulante do navio de cruzeiros Diamond Princess.

Em Portugal, quem suspeitar estar infetado ou tiver sintomas - que incluem febre, dores no corpo e cansaço - deve contactar a linha SNS24 através do número 808 24 24 24 para ser direcionado pelos profissionais de saúdeNão se dirija aos serviços de urgência, pede a Direção-geral de Saúde.

Não existem restrições à estadia em Portugal de crianças, jovens e adultos que regressem de uma área de "transmissão ativa" do novo coronavírus, mas faz a DGS deixa recomendações.

Entre as recomendações de saúde para evitar infeções está: Lavagem frequente das mãos com detergente, sabão ou soluções à base de álcool; Ao tossir ou espirrar, fazê-lo não para as mãos, mas para o cotovelo ou para um lenço descartável que deve ser deitado fora de imediato; Evitar contacto próximo com quem tem febre ou tosse; Evitar contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos; Deve ser evitado o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos; Caso se dirija a uma unidade de saúde com suspeitas de infeção ou sintomas deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.

A Direção-Geral da Saúde  ativou os hospitais de Santa Maria, S. José (Lisboa), Coimbra e Santo António (Porto) para validar casos suspeitos de infeção pelo novo coronavírus (Covid-19). Tratam-se de hospitais de referência de "segunda linha" para a contenção da infeção. A partir de 26 de fevereiro, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e o Hospital Curry Cabral, em Lisboa, passam a poder fazer análises laboratoriais aos casos suspeitos. Até à data, as análises eram feitas no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, em Lisboa, e, mais recentemente, no Hospital S. João, no Porto. Atualmente existem 2.000 quartos de isolamento nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde.

 

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