A primeira demissão foi a de Abel Matos Santos, vogal da Comissão Executiva (órgão mais restrito do presidente), cujo mandato durou apenas alguns dias. Depois de ter sido eleito no 28.º Congresso do CDS-PP, que decorreu em Aveiro nos dias 25 e 26 de janeiro do ano passado, o fundador da Tendência Esperança e Movimento deixou o cargo no dia 04 de fevereiro, na sequência de notícias que davam conta de declarações polémicas que tinha feito.

No dia seguinte, Luís Gagliardini Graça demitiu-se da Comissão Política Nacional (CPN), o órgão mais alargado da direção, em solidariedade com Abel Matos Santos.

Há cerca de dois meses saiu também da CPN Rui Barreira, que é advogado de César de Paço, um antigo cônsul honorário de Portugal em Palm Coast, nos Estados Unidos da América, que tem ligações ao Chega. De acordo com o jornal Expresso, o presidente do CDS não comunicou esta saída ao restante núcleo, depois de o agora ex-dirigente lhe ter pedido discrição.

Há duas semanas (em 26 de janeiro), o ex-vice-presidente do CDS Adolfo Mesquita Nunes escreveu um artigo de opinião no qual defendeu a realização de um congresso eletivo antecipado.

Desde aí, têm sido conhecidas demissões dentro da cúpula centrista quase diariamente, em grande parte de democratas-cristãos afetos ao grupo Juntos pelo Futuro - cuja moção teve 14,45% dos votos no último congresso e integrou a direção após um acordo com Francisco Rodrigues dos Santos -, deixando críticas à atuação da liderança.

A 28 de janeiro, o até então vice-presidente do CDS-PP Filipe Lobo d’Ávila e os vogais da Comissão Executiva Raul Almeida e Isabel Menéres Campos anunciaram que pediram a demissão dos respetivos cargos.

No dia seguinte, também os vogais da CPN do CDS-PP Paulo Cunha de Almeida e José Carmo deixaram a direção.

No final da semana passada, saíram também José Miguel Garcez, da Comissão Executiva, bem como Altino Bessa, João Medeiros e Francisco Kreye, que eram vogais da CPN.

No rescaldo do Conselho Nacional deste fim de semana, que renovou a confiança na direção de Rodrigues dos Santos, foram confirmadas à Lusa mais três demissões de vogais da CPN – Pedro Pestana Bastos, Tiago Loureiro e José Montenegro, que defenderam a realização de um congresso antecipado.

No total, dos 42 vogais da CPN eleitos no congresso, uma dezena abandonou os cargos, e dos sete vogais da Comissão Executiva (dois por inerência de serem líderes do CDS nos Açores e na Madeira), demitiram-se quatro. A estas demissões, acrescem também as saídas de José Maria Seabra Duque e Tiago Leite, do gabinete de estudos do partido.

De acordo com os estatutos do CDS-PP, além dos vogais eleitos em congresso, compõem a CPN o presidente do partido (Francisco Rodrigues dos Santos), os seis vice-presidentes que se mantêm em funções (António Carlos Monteiro, Francisco Laplaine Guimarães, Miguel Barbosa, Artur Lima, Sílvio Cervan, e Paulo Duarte), o secretário-geral (Francisco Tavares), o líder do grupo parlamentar (Telmo Correia), o eurodeputado Nuno Melo, a porta-voz do partido (Cecília Anacoreta Correia), o coordenador autárquico (Fernando Barbosa) e ainda os presidentes das mesas do Congresso, do Conselho Nacional, do Senado e das comissões políticas regionais.

Em resposta ao desafio de Mesquita Nunes, o líder do CDS apresentou uma moção de confiança à sua CPN, que foi aprovada pelo Conselho Nacional na madruga de domingo com 144 votos a favor (54,4%), 113 votos contra (42,6%) e oito abstenções (3%).

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