Boris Johnson, o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, tem sido conhecido pelas 'gafes' que comete. Desta vez, durante a visita a um templo Sikh em Bristol, Johnson discutiu as tarifas do whisky entre o Reino Unido e a Índia. O ministro deslocou-se ao templo para angariar mais votos junto da comunidade Sikh, bastante representativa na cidade.

"Quando vamos à Índia, a Bombaim ou a Deli, temos de trazer álcool na bagagem, temos de trazer Johnnie WalKer, temos de trazer whisky, porque, como sabem, existe um imposto de 150% na Índia sobre a importação do whisky escocês. Por isso temos de o trazer isento de impostos para os nossos familiares. Mas imaginem o que poderíamos fazer se houvesse um acordo de comércio livre com a Índia, o que haverá".

De acordo com os princípios do Sikhism, religião monoteísta fundada em Punjab (noroeste da Índia) pelo Guru Nanak no século XV, o álcool e o tabaco, por exemplo, são substâncias tóxica que devem ser excluídas. Quem consumir estas substâncias - Sikhs ou não-sikhs - não pode entrar nos templos. Tendo isto em conta, uma das mulheres que assistia ao discurso manifestou-se.

"O objetivo principal é promover o comércio entre a Índia e a Inglaterra, certo? E na base disso está o álcool, que é algo que vai contra a nossa religião. Por isso, não quero ter alguém no poder que quer levar mais álcool para a índia, pois o álcool já causa problemas que chegue. Quando ouvi isso nas notícias, pensei ‘eu não vou votar nos Tories [Conservadores] de maneira nenhuma’, porque eu não quero álcool. Sou uma sikh praticante e, para mim, isso é absolutamente chocante", disse Balbir Kaur, que se encontrava na plateia.

A mulher acrescentou ainda que "o imposto não é um problema, o álcool é".

Face a esta reação, o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico afirmou compreender o ponto de vista da mulher, dizendo que percebia as suas circunstâncias familiares.

Balbir Kaur voltou a frisar os princípios da religião e mostrou que o ministro não estava a respeitá-los: "Não são as minhas circunstâncias familiares, é todo o Sikhism. E você está aqui no templo Sikh a falar sobre álcool, em frente ao Guru Granth Sahib, o que não está certo".

O ministro voltou a afirmar que percebia o ponto de vista de Kaur, mas não sem frisar que aquele não era o ponto de vista de todos. "Existem muitos Sikhs que são bons e que são praticantes e não têm esta atitude". Johnson realçou também o facto de o whisky ser "um grande negócio no país e que um acordo com a Índia seria de grande valor".

Com isto, Kaur tornou o seu testemunho mais pessoal e referiu que teve pessoas na família com problemas de alcoolismo. Em redor, outras pessoas disseram ao ministro que se tivesse feito aqueles comentários na Índia, "não saía do templo com vida", cita o The Guardian.

Antes deste discurso e da intervenção de Balbir Kaur, Boris Johnson colocou um turbante laranja, tipicamente indiano.

A 'gafe' do ministro britânico foi ainda mais comentada devido ao facto de Marina Wheeler, a sua mulher, ainda ter ligações a esta religião.

O porta-voz de Boris Johnson alegou que a reação ao discurso foi apenas por parte de um mulher e que todos os presentes gostaram da sua presença no templo. Mais informou que o ministro se sentiu sensibilizado por ouvir a história pessoal de Kaur e que não houve nenhuma 'gafe', uma vez que Johnson apenas pretendeu alertar para a relação entre os dois países, com base nas tarifas do whisky.

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