Holmes, que está grávida, não terá de se entregar até 27 de abril de 2023, de acordo com a decisão do juiz federal do distrito, Edward Davila, pronunciada num tribunal de San Jose, Califórnia.

O seu ex-companheiro, Ramesh "Sunny" Balwani, aguarda a leitura da sentença, adiada para 7 de dezembro, depois de ter sido considerado culpado de 12 acusações de fraude apresentadas por promotores federais em julho deste ano.

A fundadora da Theranos foi condenada em janeiro por persuadir investidores a acreditarem durante 15 anos que tinha desenvolvido um dispositivo capaz de realizar dezenas de exames médicos rapidamente com apenas algumas gotas de sangue, até ao colapso da empresa.

"Assumo diante de vós as minhas responsabilidades pela Theranos. Eu amava a Theranos. Foi o trabalho da minha vida", disse Holmes na audiência, entre soluços, pouco antes da sentença. "Estou devastada pelos meus fracassos", acrescentou a ex-estrela de Silicon Valley.

No entanto, a procuradora Stephanie Hinds argumentou nos documentos judiciais do caso que Holmes ficou "cega pela ambição".

A procuradoria tinha pedido 15 anos de prisão e a restituição de 800 milhões de dólares às vítimas de Holmes, enquanto a defesa queria uma pena máxima de um ano e meio de pena efetiva.

O seu advogado anunciou nesta sexta-feira que vão recorrer. "A tragédia nesse caso é que a Sra. Holmes é brilhante" e chegou a conquistar um lugar num mundo "dominado por egos masculinos", afirmou o juiz. Mas também há "provas suficientes de manipulação e mentiras usadas para fazer negócios", acrescentou.

Figuras de renome — como o ex-secretário de Estado Henry Kissinger e o ex-secretário de Defesa dos EUA James Mattis e o magnata dos media Rupert Murdoch — compraram a promessa de Holmes, investindo no que parecia ser uma aposta segura.

A empresária foi considerada uma visionária e até mesmo comparada ao fundador da Apple, Steve Jobs. É fácil perceber porquê: em 2014, a Theranos estava avaliada em 9 mil milhões de dólares.

Mas depois de alguns anos e avultados investimentos, a promessa esvaiu-se e as máquinas milagrosas não funcionaram. A história é relatada no documentário The Inventor: Out For Blood in Silicon Valley — disponível na HBO Portugal — do oscarizado Alex Gibney.

De acordo com a acusação, Holmes estava ciente e mentiu aos investidores, médicos e pacientes para continuar a arrecadar dinheiro. Contudo, ainda não é claro o motivo pelo qual a empreendedora terá apostado tanto na tecnologia, sabendo que não funcionava, uma vez que desde 2014, segundo a Forbes, era a milionária mais jovem do mundo sem nunca ter herdado uma fortuna.

Durante o julgamento, Holmes declarou que Balwani tinha uma atitude física e emocionalmente abusiva durante o relacionamento que tiveram, declarações que o empresário rejeitou.

Holmes e Balwani são exemplos raros de executivos do setor tecnológico que respondem a acusações pelo fim de uma empresa, num ambiente repleto de startups fracassadas que antes prometiam riquezas incalculáveis. O seu julgamento demonstrou como existe uma linha ténue que separa o lucro da desonestidade criminal no setor.

Balwani, quase duas décadas mais velho que Holmes, foi contratado para ajudar a comandar a empresa que ela fundou em 2003, quando tinha 19 anos.

Os promotores alegaram durante o julgamento que Holmes e Balwani tinham consciência de que a tecnologia não funcionava como prometido, mas continuaram a promovê-la como revolucionária para pacientes e investidores.

O procurador dos Estados Unidos, Robert Leach, disse aos jurados no tribunal federal de San Jose que Balwani administrava o negócio ao lado de Holmes e que os dois eram "parceiros em tudo, inclusive no crime".

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