“O Castro de Três Rios, que para muitos não passa de um monte de pedras, é só a mais antiga inscrição de um colono romano existente em Portugal, o que só por si é bastante interessante, mas ainda por cima é um colono romano que faz uma dedicatória a uma divindade indígena, o que torna a inscrição ainda mais interessante”, adiantou a diretora do Centro de Estudos Arqueológicos da Universidade de Coimbra.

Conceição Lopes explicava em conferência de imprensa, à margem da apresentação da programação cultural para Tondela “Que bicho é que nos mordeu”, que “a Universidade de Coimbra tem estado a desenvolver um projeto no sentido de se fazer a valorização” desse espaço.

“Se a inscrição é interessante naquele sítio, é porque o sítio representa alguma coisa de interesse. O Castro não é apenas um sítio arqueológico importante, é um sítio estratégico do ponto de vista do desenvolvimento das estruturas culturais e dos roteiros culturais e do turismo cultural”, defendeu.

Neste sentido, Conceição Lopes diferenciou o “turismo cultural de qualidade, do turismo cultural, ou seja, no de qualidade podem não ser muitas pessoas, mas são pessoas com capacidade de percorrer a região, de compreender e de divulgar num sentido diferenciador”.

Esta responsável defendeu também que o Castro de Três Rios “tem uma relação profunda com a comunidade, onde a comunidade se revê” e, nesse sentido, os seis alunos internacionais de mestrado presentes em Parada de Gonta “estão a trabalhar no sentido de criar um grande projeto de valorização do sítio e, consequentemente, do território”.

Os alunos chegaram esta semana a Parada de Gonta no âmbito de um mestrado internacional de arqueologia e arquitetura e paisagismo.

“Um mestrado coordenado pela Universidade de Coimbra, Portugal, pela Universidade de Roma La Sapienza, Itália, e pela Universidade Técnica de Atenas, Grécia, e, portanto, são três universidade que estão a liderar este processo e que vão ter em cada um destes países pontos de investigação destes alunos de mestrado”, anunciou o vereador da Cultura.

O vereador adiantou que “há meio ano que a autarquia está a trabalhar na possibilidade de fazer um protocolo tripartido entre o município de Tondela, o Centro de Estudos de Arqueologia da Universidade de Coimbra, a Junta de Freguesia de Parada de Gonta e o Campo Arqueológico de Mértola, que tem uma parte do conhecimento científico associado a esta questão”.

À agência Lusa, Conceição Lopes explicou que em Parada de Gonta, a Universidade leva a “componente de formação e, nesse sentido, espera-se que o Castro venha a ser uma escola de formação em arqueologia também”.

“Estes são os primeiros seis alunos de muitos que se esperam. Em ligação com o Campo Arqueológico de Mértola que instalou uma escola e tem todo o ‘know-how’ e toda a experiência de como se faz e nós pretendemos, juntamente com a Câmara, fazer do Castro de Três Rios um sítio escola formação”, assumiu.

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