“Nunca aceitaremos novas operações militares em solo ucraniano”, disse o chefe de Estado francês numa entrevista à estação norte-americana CBS News, numa referência às recentes movimentações de tropas russas na fronteira ucraniana.

Para Emmanuel Macron, o Ocidente tem de demonstrar “diplomacia” e “credibilidade” ao transmitir este ponto de vista e a possível aplicação de sanções não pode ser descartada.

“Penso que depois de um comportamento inaceitável temos de sancionar”, admitiu o Presidente francês quando questionado sobre essa possibilidade, frisando, no entanto, que as medidas sancionatórias “só são uma parte do pacote”.

“Acho que temos de definir linhas vermelhas claras com a Rússia. Esta é a única forma de ter credibilidade”, prosseguiu.

Esta entrevista de Macron, hoje transmitida, foi gravada depois do Presidente francês ter participado, na sexta-feira, numa cimeira tripartida com o homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, e com a chanceler alemã, Angela Merkel.

No decurso desse encontro, os líderes partilharam as suas “preocupações sobre o aumento das tropas russas na fronteira com a Ucrânia e ainda na [península ucraniana da] Crimeia ilegalmente anexada”, segundo um comunicado divulgado, na sexta-feira, pelo gabinete de Merkel.

A chanceler alemã, a par dos Presidentes francês e ucraniano, apelou para uma retirada “destes reforços de tropas para garantir um desanuviamento” naquela região, de acordo com a mesma fonte.

A mesma nota informativa referiu que Merkel e Macron “sublinharam o (seu) apoio à independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia”, bem como defenderam “a necessidade de uma aplicação na íntegra dos acordos de Minsk pelas duas partes”.

Alemanha e França ajudaram a negociar, em 2015, os acordos de Minsk, um compromisso que permitiu reduzir os combates no leste da Ucrânia, região que tem sido cenário desde 2014 de confrontos entre forças ucranianas e forças separatistas pró-russas.

Mais de 14 mil pessoas morreram em sete anos de conflito.

Há várias semanas que os confrontos se multiplicam entre Kiev e os separatistas russos do Donbass (leste da Ucrânia), enquanto dezenas de milhares de soldados russos foram destacados para os arredores, fazendo recear uma grande operação militar.

Desde que tomou posse, em 2017, Macron tem trabalhado para manter um diálogo construtivo com a Rússia sobre um conjunto de questões, posição que também quis manifestar nesta entrevista à CBS News.

“Estou certo de que o Presidente [Vladimir] Putin pode estar pronto para reabrir o diálogo”, disse o líder francês.

“Precisamos de um diálogo aberto e franco com a Rússia” em vários tópicos, afirmou Macron, mencionando, entre outras vertentes, o controlo de armas e a estabilização das crises mundiais.

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