O peixe invulgar, que nos foi introduzido no filme da Pixar “À procura de Nemo” – do qual Marlin e Dory fogem -, normalmente encontrado a milhares de metros de profundidade no oceano, deu à costa na área protegida marinha do Parque Estadual Crystal Cove, em Laguna Beach, na Califórnia, na sexta-feira passada.

O parque partilhou imagens do peixe nas redes sociais e identificou-o como sendo, muito provavelmente, um Himantolophus sagamius (conhecido vulgarmente como “peixe-futebol do Pacífico” ou peixe-pescador).

"Ver um peixe destes intacto é muito raro e desconhece-se como ou porque é que o peixe foi parar à costa", lê-se na publicação no Facebook.

O “Peixe Futebol do Pacífico” é uma das mais de 300 espécies de tamboril em todo o mundo, de acordo com os Parques do Estado da Califórnia, e é normalmente encontrado nas profundezas escuras do oceano. Tendo em conta o tamanho do animal e a “lanterna” saliente no topo da cabeça, o California State Parks considera que se trata de uma fêmea.

O banhista que encontrou o animal afirmou que soube, à partida, que se tratava de uma “descoberta invulgar", conta o jornal The Guardian, salientando que “nunca tinha visto um peixe com aquele aspeto".

Os investigadores estão contentes por terem a possibilidade de estudar estas espécies, que normalmente habitam nos abismos subaquáticos escuros a cerca de 3.000 pés da superfície e que raramente são recuperados das profundezas, principalmente nestas condições: “intactos”.

Depois de congelada, os funcionários do parque do estado da Califórnia entraram em contacto com o Museu de História Natural do condado de Los Angeles, para que possa ser transferida para a sua coleção. O museu tem apenas mais três espécimes na sua coleção, mas apenas um é da Califórnia e nenhum se encontra em tão bom estado, segundo indicam.

Os seus dentes espinhosos, apesar de parecerem bastante ameaçadores, servem maioritariamente para aprisionar as presas atraídas pela sua lâmpada fluorescente - que brilha debaixo de água com a ajuda de bactérias emissoras de luz.

Isto no caso das fêmeas, porque os machos são muito mais pequenos e são "parasitas sexuais" – fundem-se com as fêmeas, perdendo todos os seus órgãos internos à exceção dos reprodutores, permitindo à fêmea reproduzir-se em troca de alimento.

No arquipélago dos Açores, em 2016, os cientistas puderam observar, pela primeira vez, um ‘casal de peixes-futebol’ a reproduzir-se. As imagens captadas pelos investigadores permitem ver como o macho é "absorvido" pela fêmea durante o processo.

De acordo com uma reportagem sobre estes peixes publicada, em 2019, pelo New York Times, o primeiro foi encontrado em 1833, depois de um ter dado à costa na Gronelândia. Desde então, a maior parte do conhecimento recolhido sobre estes animais provém dos poucos espécimes mortos que, de alguma forma, acabaram em terra. Nos últimos anos, investigadores já conseguiram observá-los no seu território.

"Ver este estranho e fascinante peixe é uma prova da diversidade da vida marinha que espreita sob a superfície da água ...", lê-se na publicação do Parque Estatal Crystal Cove.

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