Pesquisadores da Federação de Cientistas Americanos estimaram que a China tem cerca de 250 silos subterrâneos de mísseis em construção, através da análise de imagens de satélite, para identificar um novo campo, que está a ser construído no oeste da China.

O Comando Estratégico dos EUA referiu na rede social Twitter um artigo publicado pelo jornal The New York Times sobre aquelas descobertas.

“O público descobriu o que temos vindo a dizer há muito tempo, sobre a crescente ameaça que o mundo enfrenta e o véu de sigilo que o cerca”, disse o Comando Estratégico, que supervisiona o arsenal nuclear dos Estados Unidos.

O campo, situado na região de Xinjiang, é o segundo a ser detetado este verão. Em junho passado, pesquisadores do Centro James Martin para Estudos de Não Proliferação, na Califórnia, identificaram outro campo, em construção na província vizinha de Gansu.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse hoje não ter conhecimento da situação.

A informação chega numa altura em que as relações entre os EUA e a China caíram para o pior nível em décadas. As duas nações travam uma prolongada guerra comercial e tecnológica e mantêm diferendos em questões de cibersegurança, Direitos Humanos ou o estatuto de Hong Kong e Taiwan.

A expansão da força nuclear da China provavelmente seria um fator em qualquer cálculo dos EUA para potenciais confrontos militares sobre pontos de inflamação, como Taiwan ou o Mar do Sul da China.

Em editorial, o jornal oficial do Partido Comunista Chinês Global Times disse, esta semana, que as instituições e a imprensa dos EUA estão a exagerar as informações sobre os campos de mísseis para pressionar a China, mas que o país não se deve deixar intimidar.

“Vejam o que os políticos norte-americanos estão a dizer sobre a China e as ações provocativas dos seus aviões e navios de guerra perto da China”, lê-se no editorial. “A China deve intensificar totalmente a construção da sua força militar e de dissuasão nuclear como pedra angular da sua segurança nacional”, apontou.

Ambos os locais têm cerca de 800 quilómetros quadrados.

Os silos subterrâneos podem abrigar mísseis balísticos intercontinentais. Espalhar os silos numa área tão ampla torna a segmentação do campo muito mais complicada.

“O programa de silo de mísseis da China constitui a construção de silos mais extensa desde a construção nos EUA e na União Soviética durante a Guerra Fria”, escreveram os pesquisadores Matt Korda e Hans Kristensen, no relatório da Federação de Cientistas Americanos.

Kuo Yu-jen, especialista em estudos de Defesa do Instituto de Pesquisa de Política Nacional de Taiwan, disse que é muito difícil obter uma contagem precisa dos silos subterrâneos de qualquer país, mas que as imagens de satélite publicadas recentemente parecem “muito, muito semelhantes” a silos de mísseis.

Ele caracterizou as descobertas como um alerta de que a China, ao desenvolver as suas capacidades de armas nucleares, está a violar um consenso internacional voltado para o desarmamento nuclear.

“Serve também para informar a Rússia. A China, ao aumentar o seu número de mísseis, ameaça não apenas os EUA, mas também a Rússia e a Europa”, disse Kuo.

Os EUA e a Rússia, que possuem os maiores arsenais nucleares do mundo, mantiveram conversações inconclusivas esta semana em Genebra numa tentativa de evitar uma nova corrida armamentista nuclear.

O arsenal nuclear da China é estimado pelo Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo em 350 ogivas, enquanto os Estados Unidos ou a Rússia têm cerca de 6.000 cada.

O Pentágono diz que a China pelo menos dobrará o tamanho do seu arsenal em 10 anos.

A pesquisa recente segue uma descoberta de Kristensen, em fevereiro passado, sobre a construção de 11 silos subterrâneos num vasto campo perto de Jilantai, no centro-norte da China.

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