A “número dois” do Departamento de Estado norte-americano, Wendy Sherman, chega no domingo à cidade de Tianjin (nordeste) e na segunda-feira vai encontrar-se com diplomatas chineses, naquela que é a visita de maior destaque à China desde que Joe Biden chegou à Casa Branca, em janeiro.

“Todas as dimensões do relacionamento estarão sobre a mesa, nessas reuniões”, disse hoje um alto funcionário dos Estados Unidos, numa conferência de imprensa telefónica.

“Os Estados Unidos acolhem bem a competição dura e constante com a China (…) mas queremos garantir que há barreiras de contenção e regras para administrar o relacionamento com responsabilidade”, acrescentou a mesma fonte.

Sherman, que está de viagem pela Ásia há uma semana, vai encontrar-se em Tianjin com várias autoridades chinesas, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, mas nenhuma das duas potências avançou pormenores sobre o formato das reuniões ou sobre os tópicos que serão discutidos.

O principal objetivo de Washington é repetir, em privado, as várias queixas sobre Pequim que tem feito publicamente nos últimos meses, nomeadamente sobre ciberataques, comércio, a situação em Hong Kong ou os alegados abusos à minoria uigur na região chinesa de Xianjiang.

“O objetivo não é negociar sobre questões específicas, mas manter os canais de comunicação abertos ao mais alto nível. A nossa filosofia é que não devemos evitar tópicos difíceis apenas para sermos simpáticos”, disse um outro funcionário dos Estados Unidos na mesma conferência de imprensa.

Esse funcionário também minimizou as sanções recentemente impostas por Pequim a seis cidadãos norte-americanos, entre os quais o ex-secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, e a uma instituição norte-americana, em resposta a outras restrições impostas por Washington contra sete funcionários chineses.

“Este é apenas mais um exemplo da tradição da China de agir contra os cidadãos (dos EUA) por ações que foram tomadas pelo Governo dos EUA”, explicou esse alto funcionário.

Desde que chegou à Casa Branca, em janeiro, Biden não só manteve a guerra comercial com a China lançada pelo seu antecessor, Donald Trump, como também fez da competição com Pequim uma das principais prioridades da sua política externa.

Na segunda-feira passada, os Estados Unidos, apoiados pela União Europeia (UE) e por outros países, acusaram o Governo chinês de “contratar” piratas informáticos para realizar “operações cibernéticas globalmente não autorizadas”, uma denúncia rejeitada por Pequim.

As tensões entre os EUA e a China também subiram de tom, recentemente, depois de avisos de Washington a empresas norte-americanas para que não negoceiem com entidades que operem em Hong Kong ou na região de Xianjiang.

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