Em declarações aos jornalistas no hotel onde está alojado, em Pequim, Bolsonaro assinalou que quer integrar-se "sem qualquer preconceito ideológico nas economias do mundo" e que fará "o que for possível para o desenvolvimento do país".

"Estou num país capitalista", disse o Presidente brasileiro, eleito pelo Partido Social Liberal (PSL), de direita, perante a insistência dos jornalistas sobre se seria problemático encontrar-se com os dirigentes comunistas chineses.

Adiantou ainda que o Brasil não pretende imiscuir-se na guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, considerando que não é "uma luta" brasileira.

Por outro lado, quando questionado sobre se os investimentos da multinacional tecnológica chinesa Huawei seriam bem acolhidos no Brasil, Jair Bolsonaro considerou que "por agora, essa hipótese está fora do radar".

Os Estados Unidos pressionaram o Brasil para que a Huawei - empresa com a qual as companhias norte-americanas estão proibidas de fazer negócios - seja impedida de participar em licitações no país.

Jair Bolsonaro afirmou-se ainda satisfeito com a posição "equidistante" da China na questão dos incêndios na Amazónia, mostrando-se convicto de que continuará assim.

O Presidente do Brasil chegou hoje a Pequim, mas a visita oficial ao país só começará na sexta-feira quando se reunir com o Presidente da China, Xi Jinping, e com o primeiro-ministro Li Keqiang, além de participar num encontro empresarial entre o Brasil e a China.

A China é, desde 2009, o maior parceiro comercial do Brasil, com as trocas bilaterais a atingirem os 98.900 milhões de dólares em 2018.

Em 2018, as exportações para a China representaram 26,8% do total das vendas do Brasil ao exterior e atingiram um pico de 64,2 mil milhões de dólares, beneficiando em parte das disputas comerciais entre Pequim e Washington.

No entanto, o Governo chinês afirmou hoje olhar a cooperação com o Brasil de uma perspetiva "estratégica" e a "longo prazo", considerando que a cooperação bilateral "não se deve restringir à economia e comércio".

Em declarações à agência Lusa, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês disse que os dois países devem "orientar o desenvolvimento em todas as dimensões".

"Esperamos que esta visita sirva para avançar com a cooperação e gerar novas perspetivas", afirmou Hua Chunying.

A eleição de Bolsonaro foi inicialmente recebida com apreensão pelas autoridades chinesas, face à sua aproximação a Taiwan e críticas feitas ao investimento chinês durante a campanha.

Bolsonaro tomou posse no início deste ano com a promessa de reformular a política externa brasileira, com uma reaproximação aos Estados Unidos, e pondo em causa décadas de aliança com o mundo emergente.

O Presidente brasileiro tem promovido um alinhamento com o homólogo norte-americano, Donald Trump, que deverá ter consequências diretas nos fóruns multilaterais, negociações sobre o clima, Defesa ou conflito Israel-Palestina.

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