O estúdio, que declarou falência esta segunda-feira, disse em comunicado que "está a dar um importante passo para trazer justiça  a todas as vítimas que foram silenciadas por Harvey Weinstein".

Harvey Weinstein - que completou 66 anos esta segunda-feira - foi afastado da sua produtora em outubro do ano passado no seguimento de várias denúncias públicas de assédio e abuso sexual por dezenas de mulheres no meio cinematográfico.

As atrizes Angelina Jolie, Gwyneth Paltrow, Mira Sorvino, Ashley Judd, Léa Seydoux, Asia Argento e Salma Hayek denunciaram uma série de episódios diferentes, que vão desde presumíveis comportamentos sexuais abusivos a acusações de violação por parte do produtor Harvey Weinstein, galardoado com um Óscar pela produção de “A Paixão de Shakespeare” (1998).

Weinstein enfrenta vários processos civis em Nova Iorque e Los Angeles. Há investigações penais em Nova Iorque, Los Angeles e Londres, mas por enquanto nenhuma levou a uma acusação formal.

A pedido do movimento contra o assédio sexual Time's Up, o procurador do Estado de Nova Iorque, Eric Schneiderman, aceitou investigar por que motivo o produtor Harvey Weinstein ainda não foi acusado formalmente pela procuradoria, quase seis meses depois do escândalo.

"Temos um conhecimento muito profundo dos anos de conduta sexual abusiva de Harvey Weinstein e, recentemente, apresentámos uma ação civil contra ele por abusos persistentes e severos contra os seus funcionários na Weinstein Company", disse o procurador no Twitter. "Estamos comprometidos em realizar uma revisão completa, justa e independente deste assunto".

A Time's Up pediu ao governador Andrew Cuomo "uma investigação independente sobre o processo de decisão neste caso", incluindo um "exame completo" dos contactos entre os advogados do poderoso produtor de Hollywood e do escritório do procurador de Manhattan Cyrus Vance.

A investigação teria como objetivo assegurar a "integridade" do procurador e "restabelecer a confiança", argumentou o Time's up.

O movimento aponta para caso da modelo italiana Ambra Battilana Gutierrez, que não conduziu a nenhuma acusação por parte do procurador de Manhattan, em 2015, quando a polícia, que possuía uma gravação áudio comprometedora, pensava que tinha um caso sólido.

O Time's Up cita um artigo recente da revista New York, segundo o qual os inspetores da polícia nova-iorquina ajudaram, à época, a "esconder" Battilana, reservando quartos de hotel com nomes falsos, por medo de que o procurador tentasse prejudicar a investigação.

Estas informações justificam um "exame imediato", insistiu o Time's Up.

O movimento considera "particularmente perturbadoras" as informações publicadas por alguns meios nova-iorquinos segundo as quais o promotor Vance, um democrata recentemente reeleito para o cargo, pode ter sido influenciado por Weinstein e pelos seus advogados.

Estas suspeitas devem-se ao facto de que a equipa de advogados de Weinstein, liderada por Benjamin Brafman, inclui ex-colaboradores e pessoas próximas de Vance. Contactado pela AFP, o escritório do procurador recusou-se a comentar.

Interrogado na quinta-feira passada sobre a possibilidade de que Weinstein seja formalmente acusado, Vance foi vago. "A investigação continua muito ativa, mas não posso dizer nada mais", adiantou à AFP.

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