A última questão pode finalmente ter sido respondida com a publicação de uma investigação. O estudo descobriu que a maioria das pedras gigantes parece ter uma origem comum a 25 quilómetros, em West Woods, uma região repleta de atividade pré-histórica.

As descobertas dão suporte à teoria de que os megálitos foram levados para Stonehenge mais ou menos na mesma época: 2.500 a.C., a segunda fase de construção da estrutura, o que pode ser um sinal de que os seus responsáveis eram de uma sociedade altamente organizada.

Segundo David Nash, autor principal do estudo publicado na revista Science Advances, até recentemente não existia a tecnologia necessária para analisar as pedras, que chegam a 9 metros de altura e pesam até 30 toneladas.

O professor da Universidade de Brighton contou à AFP que ele e a sua equipa usaram primeiro equipamentos portáteis de raio-x para analisarem a composição das pedras: são 99% sílica, mas contêm vestígios de vários outros elementos.

"Isto mostrou-nos que a maior parte das rochas tem uma composição química similar, o que nos levou a identificar que estamos à procura de uma mesma fonte principal", disse Nash.

De seguida, examinaram duas amostras de uma das pedras, obtidas durante uma restauração feita em 1958. As amostras tinham desaparecido, mas reapareceram em 2018 e 2019. Com uma técnica mais sofisticada de análise chamada espectrometria de massa, foi possível detetar uma maior variedade de elementos com maior precisão.

A "assinatura" resultante foi então comparada com 20 possíveis locais de origem das rochas sedimentares. West Woods, no condado de Wiltshire, foi o que melhor correspondeu.

"Um esforço enorme na época"

Investigações anteriores revelaram que as pedras menores de Stonehenge vieram do País de Gales, cerca de 200 quilómetros a oeste. O novo estudo diz que estas e as pedras maiores foram colocadas ao mesmo tempo. Segundo o The Guardian, 50 das 52 pedras provém de West Woods — o que deixa aqui outro enigma a pairar sobre o porquê de haver uma diferença do local de extração.

"Deve ter acontecido um esforço enorme na época", avaliou o investigador. "Stonehenge é como uma convergência de materiais trazidos de diferentes lugares".

Ainda não se sabe como os primeiros bretões foram capazes de transportar pedras de até 30 toneladas numa distância de 25 quilómetros, mas a ideia predominante é de que elas foram arrastadas por trenós. O significado da estrutura também permanece um mistério.

A escolha de West Woods para a extração das pedras deve ter sido pragmática, por ser um local próximo, de acordo com Nash. A região também concentrava atividades do começo do Período Neolítico e inúmeros cemitérios antigos.

Nash disse ainda que o método desenvolvido pelos cientistas poderia ajudar a responder a outras questões arqueológicas, como a rota usada para transportar as pedras. Além disso, ele e a sua equipa esperam usar as técnicas em outros locais antigos espalhados pela Grã-Bretanha.

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