De acordo com o estudo - publicado na 'Gut', revista especializada na área da gastroenterologia e hepatologia - o uso regular de medicamentos para o refluxo ácido, conhecidos como 'inibidores da bomba de protão' (IBP), está associado a um risco elevado de desenvolver diabetes tipo 2.

Medicamentos como omeprazol, pantoprazol, lansoprazol e similares fazem parte do grupo dos inibidores da IBP.

Os investigadores referem que este é um estudo observacional e, como tal, não pode estabelecer uma relação de causalidade, mas envolve muitas pessoas cuja saúde foi monitorizada por um período relativamente longo.

Quanto mais tempo estes medicamentos são tomados maior o risco parece ser, segundo a investigação, o que leva os investigadores a aconselharem que as pessoas que os tomam durante dois ou mais anos devem fazer check-ups regulares de glicose no sangue para fazer o rastreio da diabetes.

Tendo em conta o risco elevado de diabetes, os médicos devem pesar cuidadosamente os prós e os contras da prescrição desses medicamentos, alertam.

“Para pacientes que precisam receber tratamento de longo prazo é recomendado o rastreio de glicose sanguínea anormal e diabetes tipo 2”, sugerem os autores do estudo.

Os IBPs são usados para tratar refluxo ácido, úlceras pépticas e indigestão e estão entre os 10 medicamentos mais usados em todo o mundo.

Em 2014, a prevalência global de diabetes tipo 2 era de 8,5%, e os investigadores pretendiam descobrir se o uso generalizado de inibidores da bomba de protão e a alta prevalência de diabetes podem estar relacionados.

Os investigadores basearam-se em informações fornecidas por 204.689 participantes (176.050 mulheres e 28.639 homens) com idades entre 25 e 75 anos recolhidas desde 1976.

No momento da inscrição e a cada dois anos os participantes atualizavam informações sobre seus comportamentos de saúde, historial médicos e condições recém-diagnosticadas.

A partir de 2000 e até 2004 os participantes também foram questionados sobre se tinham usado IBP regularmente nos dois anos anteriores: o uso regular foi definido como duas ou mais vezes por semana.

Durante o período médio de monitorização de entre nove e 12 anos em todos os três grupos, 10.105 participantes foram diagnosticados com diabetes tipo 2.

O risco absoluto anual de um diagnóstico entre utilizadores regulares de IBP foi de 7,44/1000 em comparação com 4,32/1000 entre aqueles que não tomavam esses medicamentos.

Depois de levar em consideração os fatores potencialmente influentes, incluindo tensão alta, colesterol alto, inatividade física e uso de outros medicamentos, aqueles que usavam IBP regularmente tinham 24% mais probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2 do que os que não o faziam.

E quanto mais tempo esses medicamentos eram tomados, maior era o risco de desenvolver diabetes: o uso durante até dois anos estava associado a um risco 5% maior; o uso por mais de dois anos foi associado a um risco aumentado de 26%.

O risco diminuiu quanto mais tempo passava desde que foi suspensa a sua toma.

Uma análise mais aprofundada mostrou que o risco de diabetes entre utilizadores de IBP não foi afetado por fatores como género, idade, histórico familiar de diabetes, tabagismo, ingestão de álcool, dieta, atividade física, colesterol alto ou uso regular de medicamentos anti-inflamatórios.

Para efeito de comparação, os investigadores também analisaram o impacto potencial dos bloqueadores H2, outro tipo de substância usada para conter a produção excessiva de ácido estomacal, e o seu uso regular foi associado a um risco aumentado de 14%.

Da mesma forma, o uso de longo prazo foi associado a um risco maior, enquanto o tempo mais longo desde a interrupção foi associado a um risco menor.

Os investigadores referem ainda que encontraram inbdícios de que mudanças no tipo e quantidade das bactérias normamlemnte presentes no intestino (o microbioma) podem ajudar a explicar as associações encontradas entre o uso de IBP e um risco aumentado de desenvolver diabetes.

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