Esta é a primeira visita às tropas americanas numa zona de guerra desde que Trump chegou à presidência, há dois anos. Trump e a esposa aterraram às 19h16 (hora local) na Base Aérea Al-Assad no Iraque.

A viagem foi anunciada pela porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, no Twitter: "O presidente Trump e a primeira-dama viajaram para o Iraque ao fim da noite de Natal para visitar as nossas tropas e chefias militares para lhes agradecer o seu serviço, o seu sucesso e o seu sacrifício, e desejar-lhes um Feliz Natal"

As tropas norte-americanas no Iraque têm como principal missão ajudar as forças iraquianas a estabilizar o país após anos de luta contra o autoproclamado Estado Islâmico. A 31 de outubro, contabilizaram-se 5.200 militares nesta zona.

A visita surpresa acontece num momento em que a retirada de botas norte-americanas do terreno tem sido alvo de escrutínio.

No dia 24 de dezembro, os Estados Unidos assinaram a ordem para a retirada das tropas na Síria, um processo que o Presidente dos EUA quer "lento e altamente coordenado" com a Turquia, avançou o Pentágono. "Derrotámos o ISIS [o autoproclamado Estado Islâmico] na Síria, a única razão para estar no terreno durante a Presidência Trump", anunciou Trump no Twitter, tendo depois formalizado a retirada.

A decisão foi criticada por numerosos especialistas, que frisam que o grupo extremista islâmico continua a controlar uma série de aldeias ao longo do rio Eufrates, no leste da Síria, onde resistem há semanas a ataques sucessivos das FDS. Alemanha, França e Reino Unido, aliados dos Estados Unidos, já tinham manifestado a sua preocupação com o anúncio da retirada. Por sua vez, o secretário de Defesa norte-americano, Jim Mattis, apresentou mesmo a demissão. Mattis, talvez o mais respeitado membro do Governo de Trump em assuntos de política externa, sai do cargo no final de fevereiro, depois de dois anos tumultuosos em que procurou moderar e conter as constantes mudanças de política por parte do Presidente.

Durante esta visita às tropas no Iraque, Trump defendeu a polémica decisão de retirar as tropas norte-americanas da vizinha Síria, dizendo que não haverá atrasos. "Não se pode ter mais tempo. Já estivemos [na Síria] tempo suficiente", disse.

Trump lembrou ainda que os Estados Unidos têm lutado em guerras de outros países por muito tempo. "Não é justo quando o peso recai todo sobre nós. Não queremos mais ser explorados por países que nos usam e usam os nossos militares incríveis para protegê-los. Eles não pagam por isso e vão ter que pagar", defendeu. "Estamos espalhados por todo o mundo. Estamos em países dos quais a maioria das pessoas nem ouviu falar. Francamente, é ridículo".

Trump também pretende retirar quase metade dos 14.000 soldados americanos estacionados no Afeganistão, que participam da guerra contra os talibãs.

Viagens presidenciais para levantar a moral das tropas são uma tradição nos Estados Unidos desde os anos que se seguiram aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Trump recebeu críticas consideráveis pela sua recusa, até agora, de visitar uma zona de guerra.

(Notícia atualizada às 21h54)

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