"Esta visita surgiu na sequência do convite feito pelo seu homólogo, o presidente da República de Portugal, Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa. Por outro lado, o presidente da República, J. Ramos-Horta, pretende também retribuir a presença do presidente da República de Portugal na data da sua investidura e durante as celebrações nacionais no 20.º aniversário da Restauração da Independência de Timor-Leste", lê-se no comunicado enviado pela Embaixada de Timor-Leste.

Segundo o documento, um dos objetivos da visita é "reforçar e ampliar as relações bilaterais e de parceria entre os dois países, num momento particularmente imprevisível da atualidade, causado, sobretudo, pela guerra na Ucrânia e a crise económica a nível mundial".

Por outro lado, a visita é também uma oportunidade de partilha com Portugal dos "últimos desenvolvimentos económicos, sociais e políticos em Timor-Leste, sobretudo as próximas eleições legislativas previstas para 2023".

"As relações entre Portugal e Timor-Leste assentam não só na história, cultura e língua em comum, nas longas décadas de luta pela autodeterminação nacional, como também no compromisso e dedicação inabaláveis do povo português e dos governantes de todos os quadrantes políticos revelados, desde os momentos mais difíceis até agora, no desenvolvimento e bem-estar do povo de Timor-Leste. Hoje, Portugal continua a situar-se entre os mais importantes parceiros de desenvolvimento de Timor-Leste, demonstrando genuína solidariedade e apoio, sem regatear programas prioritários da construção de Estado e de desenvolvimento de Timor-Leste", afirmou Ramos-Horta antes da sua partida para a primeira visita de Estado ao continente Europeu.

E a situação dos imigrantes timorenses em Portugal?

O comunicado enviado pela Embaixada refere que o presidente de Timor-Leste "pretende abordar a situação dramática de particular vulnerabilidade em que se encontram os jovens timorenses recém-chegados a Portugal".

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"Apelo aos meus compatriotas que se informem junto das autoridades sobre as condições para a sua deslocação, não só a Portugal com a qualquer outro país estrangeiro", referiu.

Ramos-Horta aponta ainda que "a isenção de visto para entrada em países da EU serve apenas para fins turísticos". Assim, "os cidadãos de Timor-Leste que se deslocaram à procura de emprego deverão primeiro garantir que preenchem todos os requisitos necessários, evitando a imigração ilegal, tráfico humano e serem explorados".

De olhos postos no desenvolvimento tecnológico

O presidente da República de Timor-Leste vai ainda marcar presença na abertura da WebSummitt 2022. "Esta conferência centrada na tecnologia da internet, tecnologias emergentes e venturas de capitalismo é indispensável para Timor-Leste acompanhar e perceber os últimos desenvolvimentos a nível mundial", apontou.

"Timor-Leste, sendo um país com mais de 60% da população jovem, não poderá ficar à margem do desenvolvimento tecnológico, sobretudo no que respeita à inteligência artificial", disse ainda Ramos-Horta.

Foi ainda informado que o presidente de Timor-Leste vai participar "num evento de negócios onde estarão presentes empresários timorenses e de Portugal, sobretudo nas áreas farmacêutica, moda, agrícola e de calçado".

"A eminente adesão de Timor-Leste à ASEAN [Associação de Nações do Sudeste Asiático], um mercado de mais de 700 milhões de pessoas, proporcionará uma oportunidade ideal para a indústria portuguesa em áreas especializadas se estabelecer em Timor-Leste", rematou.

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