A escolha de Mueller como Conselheiro Especial surge num momento em os Democratas têm vindo repetidamente a pedir que a investigação seja conduzida por alguém que não pertença ao Departamento de Justiça.

Membros do Partido Republicano têm também pedido nos últimos dias que o Congresso promova uma investigação profunda e independente, uma atitude explicada pela inesperada decisão de Donald Trump de demitir o diretor do FBI, James Comey, que estava a conduzir o inquérito.

Três comités do Congresso, todos liderados por Republicanos, já confirmaram a intenção de ouvir em audição o demitido James Comey.

Os pedidos surgem depois de Trump ser acusado de revelar informações secretas ao ministro dos Negócios Estrangeiros russos; e de sugerir a Comey que abandonasse uma investigação ao ex-assessor de segurança nacional Michael Flynn, obrigado a demitir-se no dia 13 de fevereiro por omitir os repetidos contactos que manteve com o embaixador russo em Washington no ano passado, durante os quais abordou as sanções americanas a Moscovo.

O primeiro caso, noticiado pelo The Washington Post, visa revelações feitas por Trump sobre o autoproclamado Estado Islâmico com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov. Essa informação versava a intenção do grupo extremista instalar explosivos em computadores portáteis, com a finalidade de fazer explodir aviões comerciais. O caso está a ser bastante polémico, com os analistas divididos relativamente à gravidade do assunto e sobre a possibilidade de um impeachment.

Enquanto a Casa Branca veio de imediato excluir a hipótese de Trump ter revelado informação sensível que compromete a segurança dos EUA, o próprio presidente veio defender, através do Twitter, o seu direito de partilhar informação com a Rússia. Caracterizando o caso de "esquizofrenia política", o próprio Putin já se disponibilizou para revelar o teor desta conversa.

O segundo caso, referente à investigação Flynn, teve lugar numa reunião tida com Comey, a 14 de fevereiro, na Casa Branca, avança o The New York Times, que cita um memorando confidencial do ex-diretor do FBI. Entretanto, o senador republicano, eleito pelo Estado do Texas, John Cornyn, recusou o convite da Casa Branca para ser o futuro diretor da polícia federal, a segunda recusa de um congressista.

James Comey foi demitido pelo Presidente dos Estados Unidos a 9 de maio, uma decisão muito polémica de Trump, já que a demissão teve lugar numa altura em que o FBI estava a investigar os alegados contactos mantidos entre a campanha de Trump e a Rússia durante a corrida às presidenciais nos Estados Unidos.

Segundo o The New York Times, Comey adquiriu o hábito de redigir memorandos sobre as conversas com Donald Trump face a "tentativas impróprias do presidente de influenciar uma investigação em curso".

Assim, nos últimos dias, Trump tem estado no centro da polémica e a palavra impeachment tem circulado nos corredores das instituições políticas de Washington e nos ‘media’ americanos e internacionais. Agora, uma campanha - ‘Impeach Trump Now’ - liderada pela Free Speech For People (organização apartidária e sem fins lucrativos), e que propõe isso mesmo, já reune mais de um milhão de assinaturas.

Face à polémica, influente presidente republicano da Câmara de Representantes, Paul Ryan, recusou-se a tirar conclusões precipitadas, reiterando a sua confiança em Trump.

O presidente Donald Trump, por seu turno, reagiu dizendo que nunca um presidente foi tão injustiçado. "Vejam como tenho sido tratado recentemente, sobretudo pelos media", disse Trump num discurso proferido esta quarta-feira na Academia da Guarda Costeira, em Connecticut. "Nenhum político na História, e digo isto com grande certeza, foi tratado de forma tão injusta", lamentou.

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