Pode haver mudanças no staff de Isabel II, após as acusações de racismo levantadas por Harry e Megan na entrevista que concederam a Oprah.

Em resposta às declarações dos ex-membros da família real britânica, a monarca, que completa 95 anos em abril, já tinha emitido um conciso comunicado assegurando que tais acusações serão tratadas em foro privado. “Os assuntos suscitados, em particular o racismo, são preocupantes”, pode também ler-se na declaração.

No entanto, de acordo com o “The Telegraph”, a família real irá mais longe, já que o palácio de Buckingham reconhece falhas na representação de minorias e, assim, procura agora “opiniões independentes” para melhorar em tal capítulo. A solução passa, então, pela contratação de um conselheiro para a diversidade.

Sobre esta possível contratação de um conselheiro para a diversidade, fonte de Buckingham citada pelo “The Telegraph” frisa que “é demasiado cedo para anunciar planos firmes” e que uma visão ampla de diversidade, incluindo LGBTQI+ e representação da deficiência, já estava na mira da agenda real antes da entrevista dos duques de Sussex.

“Temos políticas, procedimentos e programas em vigor, mas não vimos o avanço de que gostaríamos e aceitamos que é preciso fazer mais, podemos sempre melhorar”, acrescenta.

“Imagino que vão convidar um perito negro, respeitado nesse campo, para analisar o caso e fazer recomendações, ficando pelo menos como conselheiro em part-time, ou poderão nomear outra pessoa para supervisionar a aplicação das recomendações aceites”, diz, ao Expresso, o constitucionalista britânico Bob Morris, que acrescenta ainda que pode ser um grupo a assumir tais deveres.

“Prevejo um anúncio que explique o que foi analisado, resuma o que se descobriu e indique rumos a seguir”, afirma também.

Morris alerta ainda para a realidade de que as alegações na entrevista a Oprah Winfrey “são muito fáceis de fazer e muito mais difíceis de refutar”. O académico explica, assim, que é preciso mais contexto para se aferir se se trata realmente de racismo ou não.

Quanto ao facto de Archie, primeiro filho de Harry e Megan, não ter título de príncipe, assegura que tal apenas ocorre porque decorre da lei, descartando-se qualquer possível discriminação nesse âmbito.

“Calculo que vá examinar se são necessárias mudanças na composição do staff real”, diz, também ao Expresso, Hugo Vickers, escritor britânico e biógrafo de Isabel II. Tendo colaborado com a família real ao longo de décadas, considera a família real “o menos racista possível” e garante que “não é a autopromoção de uma ex-atriz que vai abalar uma monarquia que existe há mais de mil anos”.

“Os jovens podem ser levados, mas não estou particularmente preocupado”, afirma Vickers, confessando-se “zangado” pela atitude do neto da rainha, na medida em que não esteve bem ao “criticar a monarquia em público”.

Isabel II, recorde-se, reina sobre 65 milhões de britânicos, mas também sobre mais de 90 milhões de pessoas espalhadas por outros 15 países no mundo.

Antígua e Barbuda, Austrália, Baamas, Barbados, Belize, Canadá, Grenada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, São Cristóvão e Nevis, Santa Lúcia, São Vicente e Grenadinas, Salomão e Tuvalu são os países da Commonwealth que mantêm também a nonagenária como chefe de Estado.

Desta organização fazem parte, ao todo, 53 nações, num total de 2400 milhões de habitantes, que, mesmo não tendo a rainha como chefe de Estado, têm-na como uma referência. Como tal, não sendo todos caucasianos, tais acusações de racismo urgem esclarecimentos para quem tem a matriarca dos Windsor em muito boa consideração.

Os novos empregos de Harry

Esta quarta-feira soube-se que Harry terá dois novos empregos nos Estados Unidos da América, onde o casal vive há meses, depois de uma primeira experiência no Canadá.

Assim, Harry trabalhará com a organização BetterUp na defesa da saúde mental e fará parte da Comissão de Perturbação Informativa do Instituto Aspen, para combater as notícias falsas. Neste segundo emprego, terá a companhia de Kathryn Murdoch, nora do magnata dos media australiano Rupert Murdoch.

“Conforme já disse, a experiência do mundo digital hoje inundou-nos com uma avalanche de desinformação que afeta a nossa capacidade enquanto indivíduos, e das sociedades, de pensar de forma clara e compreender verdadeiramente o mundo em que vivemos”, defendeu Harry ao jornal norte-americano “USA Today”, considera esta nova missão enquanto humanitária.

Já na BetterUp o duque irá “suscitar diálogos críticos sobre a saúde mental, construir comunidades de apoio e compaixão e fomentar um ambiente de conversas honestas e vulneráveis”. A saúde mental, recorde-se é uma causa defendida tanto por Harry como por William há anos. Após a morte da mãe, a princesa Diana, num acidente de viação em 1997, ambos confessaram ter sofrido perturbações mentais. “Espero ajudar as pessoas a desenvolver a sua força interna, resiliência e confiança", adiantou.

Filipe saiu do hospital e nasceu mais um bisneto da rainha

No dia 16 deste mês, a chefe de Estado teve a alegria de ver o marido, o duque de Edimburgo, sair do hospital, onde esteve internado um mês com problemas cardíacos. Filipe, recorde-se, faz 100 anos a 10 de junho enquanto a rainha completa 95 a 21 de abril. Já a 6 de fevereiro de 2022, a monarca completa 70 anos de reinado.

O casal, agora novamente reunido, acolheu esta quarta-feira o seu décimo bisneto, Lucas Filipe, neto da princesa Ana, sua única filha.

O nascimento ocorreu na casa de banho dos pais, Zara e Mike, que não tiveram tempo de chegar ao hospital.

Lucas ocupa o 22.º lugar na linha de sucessão ao trono. Bem atrás de outro bisneto da rainha também nascido este ano, Augusto Filipe, filho do príncipe André. Já Archie é o 8.º na lista.

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