Ayelet Shaked, ministra da Justiça de Israel e líder do partido Nova Direita, é a protagonista de um vídeo provocador que imita o anúncio de um perfume. Aqui, a preto e branco, Ayelet Shaked aparece de forma sensual a promover um perfume chamado "Fascismo".

Ao fundo, uma narradora sussurra em hebraico frases como "reforça judicial", "separação de poderes", "limitar os poderes do supremo tribunal".

"A mim, cheira-me a democracia", acaba por dizer a ministra, falando diretamente para a câmara, dando a entender no final do anúncio que o frasco do perfume foi mal denominado.

O objetivo era promover as reformas judiciais que a ministra defende e, de forma original, responder com ironia àqueles que a acusam de ser fascista. Mas o resultado foi uma mensagem que confundiu ainda mais os israelitas.

Aqueles que não dominam o hebraico interpretaram o anúncio de forma literal (a única palavra em inglês é mesmo o nome do perfume) — uma ministra da Justiça a perfumar-se com fascismo. Outros consideraram que a piada estava demasiado próxima da verdade, salientando que Ayelet Shaked defende políticas ultra nacionalistas e autoritárias.

Shaked é membro do partido Nova Direita, um grupo nacionalista, religioso e secular que tem vindo a recuar nas sondagens.

Naftali Bennett, líder e fundador do partido rejeita a possibilidade da criação de um estado palestiniano independente e quer anexar a Cisjordânia já ocupada. Os membros do grupo têm vindo a tentar suprimir organizações de direitos humanos e a reduzir a possibilidade de os tribunais julgarem soldados acusados de abusos.

Os tribunais israelitas, sobretudo o Supremo Tribunal, têm sido vistos pela direita como demasiado liberais e intervencionistas — e, portanto, uma barreira às reformas judiciais que Ayelet Shaked defende. No domingo, o maior tribunal do país afastou da corrida eleitoral um político judeu racista e permitiu a candidatura de um partido árabe, por exemplo. Shaked considerou a decisão "uma interferência crassa e equivocada no coração da democracia israelita".

O partido Nova Direita, que Shaked lidera a par do ministro da Educação, Naftali Bennett, é parte do governo de coligação de direita de Benjamin Netanyahu.

O partido tem vindo a recuar nas sondagens, segundo as quais conquistará 6 lugares em 120 nas eleições parlamentares de 9 de abril.

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