No próximo dia 26 de maio têm lugar as eleições europeias. Para além da cobertura de campanha, entrevistas e artigos explicativos, foram ainda criados e partilhados questionários que fazem um match entre eleitores e partidos ou candidatos ao Parlamento Europeu.

Um destes quizes é “euandi2019”, desenvolvido pelo Instituto Universitário Europeu (EUI), em Florença, Itália, em colaboração com a Universidade de Lucerna, na Suíça. Tendo por base 22 temas importantes para a União Europeia, os participantes são chamados a responder a várias ideias, partindo das suas posições políticas e através de um sistema de cinco pontos, que vai desde o “concordo totalmente” ao "discordo totalmente”. Com base nas suas escolhas, o teste indicará de que partidos é que o participante mais se aproxima politicamente. O dito match.

Pensada para auxiliar os eleitores, esta proposta, contudo, revelou ser polémica, já que começaram a surgir críticas ao facto de omitir forças políticas portuguesas dos seus resultados. Um desses alertas partiu da Iniciativa Liberal. "O quiz começou a ser partilhado nas nossas redes sociais e verificámos que havia ali coisas que não faziam muito sentido”, conta Carlos Guimarães Pinto, presidente do partido, ao SAPO24. Em causa está o facto de se “excluírem partidos que estão a concorrer às Europeias e, ao mesmo tempo, incluírem, pelo menos, um partido que não está a concorrer".

A fim de averiguar que tipo de resultados é que este quiz poderia apresentar, o SAPO24 fez o teste em três ocasiões distintas, respondendo apenas “Concordo totalmente” a todas as perguntas numa primeira vez, “neutro” na segunda e “discordo totalmente” na terceira.

Nas três ocasiões, os resultados omitiram vários partidos. Das 17 forças políticas a concorrer - entre partidos e coligações - apenas 11 destas surgem nos resultados do teste. Os ausentes são o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (PURP), o Movimento Alternativa Socialista (MAS), a Iniciativa Liberal (IL), o Partido Trabalhista Português (PTP), o Nós Cidadãos (NC) e o Partido Nacional Renovador (PNR).

euandi2019
Resultados do questionário "euandi2019" ao responder "Neutro" em todas as alíneas.

Os problemas, porém, não se ficam por aqui. Entre os 12 partidos que surgem nos resultados, um não está a concorrer nestas Eleições Europeias, pois, apesar de ter conseguido eleger dois deputados europeus — Marinho e Pinto e José Inácio Faria — nas eleições de 2014, o Movimento Partido da Terra não voltou a concorrer este ano.

Marinho e Pinto, entretanto, fundou o Partido Democrático Republicano e é com esta força que se está a recandidatar. Já José Inácio Faria está a concorrer novamente enquanto número dois da lista do Nós, Cidadãos, depois do MPT lhe retirar confiança política e de abrir um processo disciplinar contra o seu agora ex-presidente. Terá sido esta situação, ainda não reconhecida pelo Tribunal Constitucional, que impediu o MPT de se candidatar.

Para Carlos Guimarães Pinto, a omissão de vários partidos nos resultados do quiz "euandi2019" pode “enviesar um bocadinho mais os eleitores no sentido dos grandes partidos”. Segundo o presidente da IL, alguns dos eleitores que utilizaram o quiz para se informar e perceber de que partidos estariam mais próximos podem nem sequer ter considerado a possibilidade de estarem mais próximos de partidos que ali não estavam, desde logo, representados.

A possibilidade de omissão dos partidos, todavia, vem prevista na secção “acerca” deste quiz , já que na alínea “A selecção dos partidos” é revelado que, apesar da equipa do "euandi2019" ter tentado “ser o mais inclusiva possível”, houve um processo de exclusão de forças políticas. Esta exclusão foi feita “com base em múltiplas sondagens de opinião que apontavam para a impossibilidade do partido [em causa] eleger um único eurodeputado”, indicando ainda a organização ter o “direito de fazer a escolha dos partidos a serem integrados na plataforma”. Em contrassenso, os autores do teste mencionam que esta é uma ferramenta com o “objetivo explícito de não favorecer qualquer partido político ou grupo de partidos”.

Esta situação foi igualmente assinalada por Guimarães Pinto, que frisou que, ao contactar os responsáveis do questionário “euandi2019”, foi informado de que estes tinham um “critério” que passava por incluir “os partidos que já estavam representados no Parlamento Europeu ou que já tinham mais de 1% nas sondagens e que isso fechava ali a porta a qualquer outro partido”, conta.

Em alternativa, o líder da IL referiu o questionário “Your Vote Matters”, criado no âmbito do Programa de Justiça da União Europeia (2014-2020) e do Programa Direitos, Igualdade e Cidadania (2014-2020), ambos promovidos pela Comissão Europeia. Este questionário, com uma mecânica muito semelhante ao “euandi2019” indica especificamente o grau de afinidade que o participante tem perante cada um dos candidatos ao Parlamento Europeu ou partidos que surge nos resultados.

Porém, também aqui se encontram omissões. Ao fazer o questionário, os resultados dos candidatos portugueses estão divididos num esquema de cores em três categorias: Azul para os atuais eurodeputados eleitos em 2014, amarelo para candidatos estreantes, castanho para eurodeputados eleitos em 2014 que se estão a recandidatar.

Porém, para além dos 21 eurodeputados eleitos em 2014 - parte cessante, parte a recandidatar-se -, apenas mais sete candidatos surgem nos resultados: Ricardo Arroja, cabeça de lista da Iniciativa Liberal, cinco candidatos do Livre (entre os quais Rui Tavares, o nº1 da lista) e Francisco Guerreiro, cabeça de lista do PAN, que se encontra nos resultados enquanto independente. Entre as ausências estão nomes como Pedro Marques (PS), Paulo Sande (Aliança) ou André Ventura (Basta!).

Esta situação vem prevista nos estatutos do questionário estando explicada no artigo, exclusivamente em inglês, “Are you running to become an MEP? Sign up in order to be displayed in the platform!” [Está a concorrer para se tornar eurodeputado? Registe-se aqui para figurar nos resultados]. Assim, como indica a plataforma, o perfil de novos candidatos só estará disponível caso estes se inscrevam. O caso é semelhante no que toca às forças políticas, garantindo o mesmo artigo que “partidos nacionais e europeus que não estejam atualmente representados no Parlamento Europeu não vão figurar na plataforma”, sendo necessário enviar um email com as posições do partido num documento oficial.

Carlos Guimarães Pinto indica que, para participar neste segundo questionário, foi necessário que o cabeça-de-lista da Iniciativa Liberal, Ricardo Arroja, preenchesse um questionário, indicando que o partido “contactou os organizadores num dia e no dia seguinte já tínhamos respondido às perguntas e já estava lá o cabeça de lista”.

Apesar de terem “sempre as suas fragilidades, como as respostas terem de ser binárias quando algumas dificilmente podem ser respondidas com um "sim" ou um "não"”, este tipo de questionários são, para o líder da IL, “definitivamente” uma boa iniciativa, mas só se “não forem enviesados”. A seu ver, “há muitas pessoas que estão habituadas a votar sempre nos mesmos partidos e que às vezes, ao fazerem esse tipo de quizes, percebem que as suas ideias encontram maior aceitação num outro conjunto de partidos ou candidatos”.

No próximo domingo as urnas abrem às 08h00 e fecham às 19h00.

No momento da votação, é apenas necessário a apresentação do documento de identificação civil (cartão de cidadão, bilhete de identidade ou outro documento oficial de identificação civil), passando os cadernos eleitorais a estar organizados por ordem alfabética.  A confirmação do local de voto é recomendada aos eleitores, através dos vários meios à disposição, que incluem o número 3838 para mensagens gratuitas, para o qual se pode enviar uma mensagem com o seguinte conteúdo: RE, espaço, número de cartão de cidadão ou de bilhete de identidade, e a data de nascimento (ano/mês/dia). Os cidadãos podem também usar o portal do recenseamento (em www.recenseamento.mai.gov.pt), a aplicação MAI Mobile (em “saiba onde irá votar”), ou na junta de freguesia da área de residência.

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