1. Já pode riscar “tornado de fogo” do seu Bingo de 2020

No sábado, 15 de agosto, o Serviço Meteorológico Nacional dos EUA emitiu o seu primeiro alerta para um tornado induzido por fogo, uma ocorrência extremamente rara, mas não inédita. O fenómeno climático (e bíblico) teve origem a partir de um incêndio florestal no norte de Califórnia, que, desde sexta-feira, já queimou cerca de 40 mil hectares. 

As condições que levaram ao incêndio “estão a tornar-se cada vez mais comuns devido à crise climática”, explica a Earther, “levando a incêndios florestais maiores e mais destrutivos em todo o oeste. Apesar disso, os firenados felizmente continuam a ser raros (por enquanto). ”

Algumas imagens partilhadas no Twitter mostram a intensidade do “tornado de fogo”, que cessou nesse mesmo dia à tarde, mas as rajadas de vento de 97 km/h deixaram as autoridades alerta para um “comportamento do fogo extremo”. 

Para ler na íntegra: Earther - You Can Mark 'Fire Tornado' Off Your 2020 Apocalypse Bingo Card

Marcha pelo Clima em Madrid, onde está a decorrer a COP25.
Luca Piergiovanni/EPA

 2. “Decrescimento”: a solução para prevenir alterações climáticas?

O movimento intitulado de “decrescimento”, composto por um número crescente de economistas e cientistas, afirma que a obsessão mundial com o eterno crescimento económico pode resultar em alterações climáticas incorrigíveis. Explicam que países desenvolvidos devem permitir que os que estão em desenvolvimento os alcancem, ou então aceitar as consequências ambientais catastróficas que daí advém. 

Durante a pandemia, pode até se ter tornado mais claro para um maior número de pessoas que deve haver limites no crescimento económico. “Ter visto os seus políticos recusarem-se a tomar medidas importantes de saúde pública para manter o crescimento do PIB foi um verdadeiro choque”, disse um antropólogo económico à Bloomberg. “E tornou-se claro que poderíamos reorganizar a economia de tal forma que o foco principal não fosse o crescimento ou a acumulação de capital, mas sim o bem-estar”. 

O que este grupo defende pode ser delineado em três pontos principais:

  1. Pedem que se reconsidere o produto interno bruto como uma métrica para o progresso, visto que o PIB pode aumentar mesmo que a desigualdade se agrave e o bem-estar geral diminua;
  2. Alegam que um planeta sustentável deve encontrar uma maneira de viver dentro de certos limites para coisas como as alterações climáticas, a acidificação dos oceanos, e a perda de biodiversidade, chamado “fronteiras planetárias” - e que os países mais ricos estão a abusar desses limites por consumir muitos recursos;
  3. Questionam a sabedoria - e até mesmo a moralidade - da maioria dos modelos climáticos que procuram manter os aumentos de temperatura abaixo de 1.5°C, o que requer o uso de tecnologias de emissões negativas que retiram o dióxido de carbono do ar e ainda estão nos estágios iniciais de desenvolvimento.

Para ler na íntegra: Bloomberg Green - These Folks Think Eternal Economic Growth Will Lead to Unstoppable Climate Change

Petróleo
créditos: AFP

3. Como Montana está a limpar centenas de poços de petróleo abandonados

Um pouco por todo o país, nos Estados Unidos, poços de petróleo abandonados continuam a poluir o ambiente porque, se deixados destampados, causam fugas de gás metano altamente tóxico - um gás de efeito estufa com um impacto 10 vezes maior do que o dióxido de carbono.

Visto que o Bureau of Land Management federal não está a lidar com a situação, um grupo de habitantes de Montana encarregou-se de fazer o trabalho no estado. Com as empresas petrolíferas há muito longe dos poços em questão, os voluntários do grupo Well Done Foundation dizem que o seu trabalho é assumir a responsabilidade pela saúde da comunidade. 

Para ler na íntegra: YesMagazine - How Montana Is Cleaning Up Abandoned Oil Wells

 4. O clima fará “um acerto de contas mais rapidamente do que a maioria de nós imagina”

A tempestade "derecho" que atingiu Iowa na semana passada custou ao estado metade de sua produção de milho - cerca de 6 mil milhões de dólares em prejuízos. “Devemos habituar-nos a isto”, escreve Art Cullen, editor do The Storm Lake Times de Iowa, num artigo de opinião para o The Guardian. “O clima extremo é o novo normal.” 

A crise climática terá um impacto profundo na agricultura e nos sistemas alimentares, refere, na América e em todo o mundo. “Isso levará a um acerto de contas mais rapidamente do que a maioria de nós imagina”.

Para ler na íntegra: The Guardian - Extreme weather just devastated 10m acres in the midwest. Expect more of this

morcego

Por cá: Projeto português de conservação de morcegos é finalista de prémio europeu 

O Centro de Ciência Viva do Alviela está entre os cinco finalistas do prémio Natura 2000 Award na categoria “Comunicação”, com o projeto “World upside down: knowing and preserving bats” (“O mundo de cabeça para baixo: conhecer e preservar os morcegos”). Os resultados serão revelados em uutubro, na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.

Este projeto teve como objetivo informar e consciencializar a sociedade, para a necessidade de conservação dos morcegos, que se encontram nas grutas do Alviela. Chegou a alcançar entre 50 mil a 100 mil pessoas em Portugal, nomeadamente jovens em idade escolar.

Algumas das ações desenvolvidas pelo projeto foram a criação de um observatório de morcegos cavernícolas, com câmaras de vídeo que permitem uma monitorização dos morcegos no seu habitat em direto; criação de exposições físicas e também interativas, tal como um portal sobre morcegos; realização de visitas de campo e ações noturnas de observação.

É agora um dos 5 candidatos a vencedor do prémio atribuído pela Comissão Europeia, cujo objetivo é celebrar e promover as melhores práticas para a conservação da natureza na Europa. Além disso está também para votação para o prémio atribuído pelo público no site da rede Natura 2000, até 15 de Setembro.

Seleção de conteúdos e edição por Larissa Silva

______________________________________________________________________________

Covering Climate Now é uma iniciativa global de jornalismo que une centenas de órgãos de comunicação social comprometidos em trazer mais e melhor jornalismo sobre aquele que se configura como um tema determinante não apenas no presente, mas para o futuro de todos nós: as alterações climáticas ou, colocando de outra forma, a emergência climática.

O SAPO24 é parte integrante desta rede desde dezembro de 2019.

Porque o seu tempo é precioso.

Subscreva a newsletter do SAPO 24.

Porque as notícias não escolhem hora.

Ative as notificações do SAPO 24.

Saiba sempre do que se fala.

Siga o SAPO 24 nas redes sociais. Use a #SAPO24 nas suas publicações.