Este apelo comum foi assinado, entre outras, pela Federação Internacional dos Direitos do Homem, as ONG Ação Contra a Fome, CARE Internacional, Oxfam e Médicos do Mundo e associações iemenitas, segundo um comunicado.

No Iémen, “14 milhões de homens, mulheres e crianças estão ameaçados de fome”, afirmaram estas organizações humanitárias e de defesa dos direitos do homem.

“Mais do que nunca, é urgente agir”, escreveram os signatários. “Depois de quatro anos de conflito, os iemenitas não podem esperar mais”, insistiram.

“Apelamos aos governos para que garantam uma cessação imediata das hostilidades, a suspender o fornecimento de armas suscetíveis de serem utilizadas no Iémen (…), a condenarem qualquer ataque a civis e outras violações do direito internacional humanitário, seja porque parte for, e a apoiarem os inquéritos internacionais sobre as violações”, adiantaram no comunicado.

Segundo as ONG, “a crise humanitária no Iémen não é o produto de uma catástrofe natural”, mas “a consequência direta das restrições severas impostas pelas partes do conflito ao acesso à alimentação, ao combustível, às importações de medicamentos e à ajuda humanitária”.

“Os acontecimentos das últimas semanas juntaram-se a uma série de exemplos de desrespeito pela Arábia Saudita das regras do sistema internacional e tornaram a evidenciar a necessidade de a comunidade internacional, em particular EUA, Reino Unido e França, reavaliar a sua parceria com Riade”, defenderam as ONG.

“Todo o fornecedor” de armas à coligação dirigida pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos “tem a responsabilidade moral e jurídica de procurar que a coligação respeite o direito internacional humanitário no Iémen”, acrescentaram.

Desde 2015, a guerra no Iémen já provocou cerca de 10 mil mortos e, segundo a ONU, a pior crise humanitária no mundo, com milhões de pessoas ameaçadas de fome.

O Iémen está quase dividido em dois, com as forças pró-governamentais a controlarem o sul e boa parte do este do país e os rebeldes o norte e boa parte do oeste.

Na quarta-feira, o chefe da rebelião prometeu não ceder às forças governamentais, o que fez recear uma batalha prolongada em Hodeida, importante cidade portuária, cujo porto é fundamental para a entrada da ajuda humanitária.

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