“O senhor Macron é o candidato da globalização selvagem, da ‘uberização’, da precariedade, da brutalidade social, da guerra de todos contra todos, da pilhagem económica dos nossos grandes grupos, do desmembramento da França pelos grandes interesses económicos, do comunitarismo”, acusou Le Pen.

Macron respondeu-lhe à letra, dizendo: “A sua estratégia é dizer muitas mentiras”.

“A senhora é herdeira de um sistema que prospera com a ira dos franceses à décadas”, frisou o candidato do movimento “Em marcha”, no debate seguido por milhões de telespetadores.

São quatro os grandes temas em discussão ao longo de pouco mais de duas horas, num formato em que dois jornalistas colocam as questões: economia, terrorismo, educação e Europa.

A quatro dias do escrutínio, e numa França ensombrada por vários ataque terroristas, as questões ligadas à segurança e ao terrorismo protagonizaram um dos momentos mais extremados num debate em que os dois candidatos nunca baixaram a guarda. A candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, acusou o centrista pró-europeu Emmanuel Macron de ser "complacente com o terrorismo islâmico". "A segurança e o terrorismo são grandes problemas e estão completamente ausentes do seu projeto," disse a candidata, com uma voz forte e olhar duro.

"Você não tem um projeto e, ainda mais, você é complacente com fundamentalismo islâmico", disse Marine Le Pen.

Emmanuel Macron não baixou os braços, procurou manter um tom de Estado, mas não deixou de ripostar, acusando Marine Le Pen de “trazer a guerra civil para o país”. “O que você propõe, como é hábito, é o pó de perlimpimpin. Você faz a guerra contra o terrorismo na televisão, mas cada vez que há propostas de reformas no Parlamento Europeu, você não as vota", acusou Macron.

Nos temas económicos, o ex-ministro da Economia de Hollande ganhou vantagem, face a argumentos pouco estruturados da adversária, e fez algumas promessas, como por exemplo conceder subsídios de desemprego a artesãos independentes, comerciantes e agricultores que vão à falência, mas que atualmente não são elegíveis para os benefícios. Macron prometeu também reduzir os impostos para todos os trabalhadores e reconheceu que iria aumentar os impostos sobre os reformados que “estão bem financeiramente”. Sobre as políticas de Le Pen, disse que esta não tem um plano para financiar as políticas que propõe.

Os programas eleitorais dos dois candidatos que vão a votos na segunda volta das eleições presidenciais estão nos antípodas: Emmanuel Macron é liberal e pró-europeu, Marine Le Pen é anti-imigração, anti-Europa e antissistema.

Após dez dias de uma campanha agressiva entre as duas voltas das presidenciais, Emmanuel Macron, que obteve o melhor resultado na primeira volta, é ainda apontado pelas sondagens como o vencedor a 7 de maio, com cerca de 60% das intenções de voto, mas a margem de avanço em relação a Le Pen está a diminuir.

Num escrutínio muito atentamente observado internacionalmente, os dois candidatos devem convencer os muitos eleitores indecisos a dar-lhes o seu apoio, enquanto se prevê que a taxa de abstenção possa ultrapassar os 22% no próximo domingo.

Macron agrada sobretudo aos jovens urbanos, à classe média e ao meio empresarial; Le Pen seduz as classes populares, a população rural e uma fatia do eleitorado francês vítima de desemprego endémico.

“Não são apenas duas personalidades, dois projetos, mas duas conceções da França, da Europa e do mundo” que estão em confronto, comentou o Presidente francês cessante, François Hollande.

Um ritual da vida política francesa desde 1974, o debate televisivo entre duas voltas eleitorais constitui tradicionalmente um momento forte e por vezes decisivo das campanhas presidenciais.

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