"Recebi, com incredulidade, as declarações de personalidades europeias que, tendo perdido audiência em casa, arrogam-se o direito de dar lições sobre o funcionamento do sistema judiciário brasileiro", escreveu o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, num comunicado.

O ministro ressalta que a legislação brasileira exclui das eleições quem é condenado em segunda instância, como aconteceu com o ex-presidente Lula da Silva. Aloysio Nunes acrescenta que quem assinou o apelo “prega a violação do Estado de Direito”.

"Fariam isto nos seus próprios países? Mais do que escamotear a verdade, cometem um gesto preconceituoso, arrogante e anacrónico contra a sociedade brasileira e o seu compromisso com a lei e com as instituições democráticas", conclui.

O apelo a favor do petista foi assinado pelo ex-presidente francês François Hollande, o ex-primeiro-ministro socialista belga Elio Di Rupo, os ex-presidentes do Conselho italiano social-democratas Massimo d'Alema, Enrico Letta e Massimo Prodi, bem como o ex-chefe do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero.

Os líderes escreveram que "a prisão precipitada do Presidente Lula, incansável artesão da redução das desigualdades no Brasil, defensor dos pobres do seu país, só pode despertar emoção" e pedem que o ex-presidente “se possa apresentar livremente ao sufrágio do povo brasileiro” nas eleições presidenciais de outubro.

Lula, que foi duas vezes presidente do Brasil (2003-2010) e é o favorito nas sondagens para as eleições de outubro, cumpre desde abril uma pena de 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

O petista, que se declara inocente, enfrenta outras seis acusações judiciais.

O Partido dos Trabalhadores (PT) mantém a sua candidatura, que será analisada em agosto pela Justiça eleitoral.

De acordo com a legislação brasileira, a condição de condenado em segunda instância deve excluí Lula da Silva da possibilidade de ser candidato nas eleições. Os membros do Partido dos Trabalhadores afirmam que vão esgotar todos os recursos disponíveis para que ele possa concorrer.

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