O jornal analisou a compra de cerca de 1.200 veículos com verbas públicas e descobriu que as aquisições e a distribuição de camiões de lixo para pequenas cidades cresceram 500%, passando de 85 para 488 veículos, entre 2019 e 2021, no Brasil.

Algumas transações, como a compra de um veículo para uma cidade do interior do estado de Alagoas, que tem uma população pequena gerando menos lixo do que camiões para o recolher, ou a diferença de 114 mil reais (22,3 mil euros) no preço de veículos iguais, comprados no espaço de apenas um mês, justificam algumas das suspeitas de irregularidades.

A distribuição destes camiões de lixo, segundo o Estadão, também está a ser usada por senadores, deputados e prefeitos aliados do Governo central e do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, para ganhar a simpatia e o voto dos eleitores em cidades pobres, segundo a mesma fonte.

Desde que Bolsonaro fez uma aliança com partidos de centro-direita em meados de 2020, órgãos como a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e principalmente a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) aumentaram a aquisição deste tipo de veículo.

O ex-presidente brasileiro e atual o senador Fernando Collor de Mello, citado pelo jornal, terá sido um dos aliados beneficiados por estas compras suspeitas e chegou a divulgar uma foto ao lado do camião de lixo entregue na cidade de Minador do Negrão, no estado de Alagoas.

Outro político supostamente beneficiado com a compra destes veículos é o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, que terá destinado verbas para comprar três camiões de lixo que foram entregues numa pequena cidade de Alagoas chamada Barra de São Miguel, com 8 mil habitantes, que é governada pelo seu pai.

Hoje, o Estadão relatou que o atual ministro da Casa Civil, Cirro Nogueira, também destinou 240 mil reais (47 mil euros) para a compra de um camião de lixo fornecido pela empresa de uma amiga que frequenta o seu gabinete.

Da disponibilização dos recursos até à aquisição do veículo, todas as etapas passaram pelas mãos de aliados do ministro, segundo o mesmo jornal brasileiro.

Até agora, o Governo brasileiro terá destinado 381 milhões de reais (74,4 milhões de euros) para essa finalidade. O jornal identificou pagamentos inflacionados em 109 milhões de reais (21,3 milhões de euros).

O Governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

Depois da divulgação da reportagem, as denúncias sobre supostas irregularidades com dinheiro público na aquisição de camiões de lixo vitralizaram nas redes sociais, gerando um escândalo nomeado ‘Bolsolão do Lixo’ em alusão ao atual Presidente brasileiro e a um antigo esquema de corrupção que ocorreu no país, o Mensalão, descoberto durante o Governo do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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