No discurso durante o jantar que ofereceu ao Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, que iniciou hoje uma visita de três dias ao Luxemburgo, Henrique referiu que a presença da comunidade portuguesa no país "representa um enriquecimento social e cultural".
Neste sentido, deu como exemplo os jogos de futebol, em que os luxemburgueses "vibram com as cores vermelho e verde".
"Se as relações entre Portugal e o Luxemburgo têm esta intensidade, diria mesmo esta vibração única, devemo-lo à presença da comunidade portuguesa no nosso país", afirmou o grão-duque.
Henrique saudou ainda a integração dos portugueses, considerando que eles são "uma parte maior daquilo que o Luxemburgo é hoje".
Segundo dados oficiais, residem no Luxemburgo cerca de 100 mil portugueses, que representam 16,4% da população deste país.
No discurso, o chefe de Estado luxemburguês destacou o "espírito pioneiro" que acompanhou a história de Portugal durante séculos e que está refletido, disse, na exposição "Drawing the World" e que simboliza também "o sincretismo" e a "capacidade rara de misturar culturas para dar lugar a algo novo e original".
Esta exposição sobre os descobrimentos portugueses e que Marcelo visita na quarta-feira estará patente até 15 de outubro no Museu Nacional de História e de Arte do Luxemburgo.
Henrique considerou ainda que hoje Portugal apresenta-se como "um ponta de lança do multilateralismo" e deu como exemplo a eleição de António Guterres para o cargo de secretário geral das Nações Unidas, fruto "de um compromisso diplomático inquebrável" e a lusofonia, que "é seguramente um elemento primordial neste movimento de abertura".
O grão-duque evocou também a memória do ex-Presidente Mário Soares, que morreu em janeiro, considerando que foi "um dos artesãos do Portugal de hoje e da sua integração na Europa".
Recordando os "anos difíceis" da crise que Portugal enfrentou, congratulou-se, no entanto, com "os sinais da retoma económica, com o regresso do crescimento, a redução do défice e a retoma dos investimentos".
Hoje, acrescentou Henrique, "um novo" Portugal apresenta-se ao mundo, "moderno, na vanguarda da tecnologia" e "atrativo para os investidores estrangeiros".
Sobre Marcelo Rebelo de Sousa, o Grão-duque elogiou o facto de se "entender maravilhosamente" com um primeiro-ministro "de uma sensibilidade política diferente" porque, considerou, o que o anima "é servir o país".
Entre "as qualidades" do Presidente português, destacou ainda o "calor humano, o dinamismo, a proximidade com as pessoas e um sentido de Estado exemplar".
Tal como Marcelo Rebelo de Sousa, no seu discurso, Henrique condenou o atentado de segunda-feira em Manchester, no Reino Unido, que provocou pelo menos 22 mortos.
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