“Estou longe da família e não conhecia ninguém das equipas aqui”, disse à agência Lusa Maria Elisabete, que no dia 13 de julho foi a uma consulta em Guimarães e acabou por ter de ser internada de urgência.

Contudo, o serviço de obstetrícia de Guimarães “estava praticamente fechado” e foi, logo nesse dia, transferida para Braga ou para o Porto.

Os próximos dias ou semanas são uma incógnita, admite, sublinhando a dificuldade que tem sido estar longe da família e internada com uma gravidez de risco num serviço e com profissionais que desconhece.

Já no termo da gravidez, Cátia Barroso tem sido seguida na unidade de saúde de Cabeceiras de Basto e, às 37 semanas de gestação, manifesta o receio e a ansiedade pela incerteza sobre o local onde será o parto.

“Supostamente seria em Guimarães, mas temo que seja transferida para o Porto”, afirmou à Lusa.

Cátia Barroso contou ainda que “na importante reta final da gravidez” deixou de ter aulas de preparação para o parto, “um apoio que tem faltado e que era fundamental”.

Também este serviço foi afetado pela paralisação dos enfermeiros especialistas em saúde materna e obstétrica, que estão, desde o início do mês, em protesto contra o não pagamento dos seus serviços especializados, assegurando apenas cuidados indiferenciados de enfermagem.

Cátia Barroso manifesta compreensão com a causa que motiva o protesto dos enfermeiros, considerando que “as equipas especializadas devem ser respeitadas”.

Contudo, reconhece que tem “muito receio” com o dia do parto e com as condições das equipas que estarão a prestar assistência.

O ministro da Saúde considerou já o protesto dos enfermeiros especialistas como condenável do ponto de vista ético e deontológico, lembrando que o Governo não pode ceder a “exigências intempestivas”.

“O Governo não pode ceder a atitudes que são, do ponto de vista ético e deontológico, muito criticáveis”, disse Adalberto Campos Fernandes na terça-feira à agência Lusa.

O Ministério da Saúde pediu um parecer urgente ao conselho consultivo da Procuradoria-geral da República (PGR) sobre a legalidade deste protesto dos enfermeiros, mas até ao momento ainda não o recebeu.

Já o bastonário da Ordem dos Médicos considerou lamentável que o ministro da Saúde ainda não tenha resolvido a situação que motiva o protesto dos enfermeiros especialistas.

"O ministro da Saúde é o responsável máximo pela saúde e tem de garantir que os serviços do SNS [Serviço Nacional de Saúde] funcionam", disse Miguel Guimarães, em declarações à Lusa.

O bastonário entende como "lamentável que o ministro da Saúde ainda não tenha resolvido a situação" destes enfermeiros, considerando que as suas reivindicações são justas.

Contudo, Miguel Guimarães mantém que continua sem perceber "qual o enquadramento legal" para este protesto.

Já no final do mês passado, o bastonário dos Médicos tinha dito que duvidava da legalidade da paralisação dos blocos de parto pelos enfermeiros especialistas, por ser uma atividade em contexto de serviço de urgência que não pode deixar de ser prestada à população.

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