A decisão de retirar a terceira estrela do Guia Michelin de França, que será apresentado no próximo dia 27, foi comunicada pessoalmente pelo diretor dos guias Michelin, Gwendal Poullenec, que se deslocou esta quinta-feira a Lyon para se reunir com a equipa do restaurante, localizado em Collonges, leste de França.

“A mesa continua a ser excelente, mas de acordo com o resultado das experiências dos inspetores da Guia Michelin durante 2019, o restaurante não está ao nível da terceira estrela”, afirmou à emissora “France Info”, citada pela agência Efe, a diretora de comunicação da publicação, Elisabeth Ancelin, depois de a notícia ter sido avançada pelo semanário “Le Point”.

“Nós devemos ser justos para com os nossos clientes. (…) O Guia Michelin é feito para aqueles que vão ao restaurante”, comentou.

Num comunicado publicado hoje de manhã na sua página oficial da rede social Facebook, assinado pela família Bocuse, Vincent le Roux (diretor) e a equipa do restaurante, o restaurante confirma a perda da terceira estrela, que foi anunciada a “10 dias do lançamento oficial do Guia Michelin e pela primeira vez na história”.

“Apesar de estarmos abalados com o julgamento dos inspetores, há uma coisa que esperamos nunca perder, e que é a alma do senhor Paul. Paul Bocuse foi um visionário, um homem livre, uma força da natureza, e é neste espírito que construímos a nova experiência que temos vindo a orquestrar desde outubro de 2019″, lê-se no comunicado.

A nota refere-se ao novo conceito “Tradição em Movimento”, lançado em outubro passado, “tardiamente em relação ao calendário de impressão do Guia Michelin 2020″, mas que tem sido considerado “excecional por muitos clientes, especialistas em gastronomia e jornalistas”.

“De Collonges e do fundo do nosso coração, continuaremos a manter vivo o fogo sagrado com audácia, entusiasmo, excelência e uma certa forma de liberdade”, afirmam os responsáveis do “Paul Bocuse”, atualmente comandado por um trio de ‘chefs’.

A notícia está a gerar uma forte polémica em França sobre os critérios utilizados pelos inspetores, que receberam duras críticas de alguns dos críticos gastronómicos mais reputados do país.

Conhecido como o ‘Papa da cozinha francesa’, Bocuse morreu em janeiro de 2018, aos 91 anos. Foi um pioneiro na cozinha, mas também na gestão do negócio, criando um império de restaurantes em todo o mundo, desde a alta cozinha a ‘fast-food’.

Três estrelas é a classificação máxima do Guia Michelin, atribuída a restaurantes aos quais é reconhecida “uma cozinha única, que justifica a viagem”, enquanto as duas estrelas distinguem “uma cozinha excecional, merece o desvio”.

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