“O Dia Mundial da Ajuda Humanitária (19 de agosto) este ano marca o 20.º aniversário do ataque mortal ao Hotel Canal, em Bagdad (na mesma data). Naquele dia sombrio, perdemos 22 colegas, inclusive o representante especial Sérgio Vieira de Mello”, disse Guterres numa mensagem oficial.

“Esta tragédia marcou uma mudança na forma como os trabalhadores humanitários operam”, adiantou.

O líder da ONU frisou que, embora os trabalhadores humanitários sejam respeitados em todo o mundo, hoje em dia eles também podem ser visados em ataques.

Este ano, apontou o ex-primeiro-ministro português, as operações humanitárias globais procuram levar ajuda para salvar vidas de 250 milhões de pessoas em 69 países — dez vezes mais do que na época do atentado ao Hotel Canal.

“Neste Dia Mundial da Ajuda Humanitária, saudamos a coragem e a dedicação dos trabalhadores de ajuda humanitária em todos os lugares. (…) Celebramos a sua dedicação inabalável para atender todas os necessitados: Não importa quem, não importa onde, não importa o quê”, frisou o líder da ONU.

A data foi estabelecida precisamente para assinalar a morte de 22 trabalhadores humanitários, incluindo Sérgio Vieira de Mello, no ataque à bomba no Iraque.

Há 20 anos, enquanto atuava como representante oficial do secretário-geral das Nações Unidas para o Iraque, Vieira de Mello foi vítima de um ataque à sede da ONU em Bagdad, onde acabaria por morrer, aos 55 anos.

O diplomata brasileiro tornou-se funcionário da ONU quando tinha apenas 21 anos. Passou a maior parte da sua carreira a servir em missões pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).

Atuou em crises humanitárias no Bangladesh, Sudão, Chipre, Moçambique e Camboja, trabalhando com refugiados e em campos de guerra, segundo a ONU.

Foi responsável pela operação de repatriação e reintegração de moçambicanos que deixaram o país durante a guerra. Foi então que, aos 28 anos, Vieira de Mello assumiu o comando do escritório do ACNUR em Moçambique, tornando-se um dos mais jovens representantes do ACNUR em operação de campo.

Entre 1999 e 2002, Sérgio Vieira de Mello liderou a missão da ONU que acompanhou a transição de Timor Leste para a independência.

O então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmava que Vieira de Mello era “a pessoa certa para resolver qualquer problema”.

O compromisso do brasileiro com as causas humanitárias acabou por levá-lo ao cargo de alto comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos em 2002, um ano antes de perder a vida no Iraque, num atentado reivindicado pela organização extremista Al Qaeda.

“A memória e legado de Sérgio Vieira de Mello está viva em todos que dedicam as suas vidas às causas humanitárias e em todos os que cultivam valores de paz, tolerância e cooperação. A sua história é um marco para o ACNUR, para o Brasil e para o mundo, e as lições que a sua vida inspira sempre trarão a esperança de um mundo melhor”, indicou o ACNUR Brasil.

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