No debate quinzenal de hoje, no parlamento, o deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, considerou que na crise sanitária provocada pela pandemia há dois “vírus que podem não só minar aquilo que são as bases do futuro mas até as bases da própria democracia liberal”, sendo o primeiro o medo e o segundo o extremismo.

“O que é que o seu Governo e o senhor em particular vai fazer para que Portugal não sucumba ao medo que está a bloquear e não sucumba ao extremismo que pode minar as bases da democracia liberal?”, perguntou o deputado liberal ao primeiro-ministro, António Costa.

Na resposta, o chefe do executivo mostrou-se “um bocado perplexo”, afirmando que Portugal viveu uma “situação dramática” devido á covid-19, tendo havido um “amplo consenso político sem nunca ter suspendido a vida democrática e sem ter nunca ter restringido a liberdade da imprensa ou da comunicação ou das redes sociais”, com uma “enorme autodisciplina por parte dos cidadãos”.

“Considerar que a nossa democracia liberal está em perigo, oh senhor deputado, por amor de Deus. Se há coisa que Portugal deu provas ao mundo é que foi capaz de viver este momento numa enorme tranquilidade da democracia liberal claro”, contrapôs.

No entanto, Costa admitiu que “com crise ou sem crise há sempre gente que acha que o discurso populista dá votinhos e, portanto, explora-o”.

“Olhe, é o caso do senhor deputado André Ventura. Agora é por causa da crise? Não é”, atirou.

A resposta, para o primeiro-ministro, está na devolução da confiança, que pode ser feita “robustecendo o Serviço Nacional de Saúde” e, olhando para a realidade económica e para a realidade social, e adotando “medidas que protejam as empresas, o emprego e os rendimentos”.

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