Henrique Neto anunciou a saída do PS num artigo de opinião no Expresso, cuja edição semanal chega às bancas este sábado.

Para Neto “há tempo para tudo na vida” e o tempo de militância no PS terminou.

Neto entrou no PS em 1991 e foi candidato à Presidência da República na eleição de 2016.

Neste "ponto final" deixou várias críticas a Costa, escreve o Expresso, sem detalhar.

O antigo deputado socialista Henrique Neto é conhecido pelas suas críticas ao poder político, nomeadamente aos governos liderados por José Sócrates.

Neto faz parte de uma família da Marinha Grande ligada à indústria vidreira e é cofundador da empresa Iberomoldes.

Candidato à Presidência da República em 2016, esteve ligado a anteriores candidaturas, participou na campanha do general Humberto Delgado, em 1958 (ainda no tempo da ditadura de António Oliveira Salazar), e, já em democracia, foi membro comissão de honra da candidatura presidencial de Mário Soares em 2006.

Ainda adolescente, pertenceu ao MUD Juvenil – Movimento Unitário Democrático e em 1968 aderiu ao Partido Comunista, que veio a deixar em 1975.

Foi ainda ativista político na oposição ao regime do Estado Novo, sendo candidato da Oposição Democrática pelo distrito de Leiria nas eleições de 1969 para a Assembleia Nacional.

Após um interregno, regressou à política quando Jorge Sampaio foi secretário-geral do Partido Socialista, em 1985, e foi deputado na Assembleia da República entre 1995-1999.

Henrique Neto veio a integrar ainda a Comissão Política Nacional do PS, era António Guterres primeiro-ministro. Nessa altura ficou célebre uma carta em que se insurgiu contra a política de obras públicas do Governo, sobretudo da relação entre o PS e o setor da construção.

Em fevereiro de 2009, Henrique Neto envolveu-se numa outra polémica com o partido, quando, numa outra carta, denunciou a existência de medo no PS e criticou a “obsessão da fidelidade ao líder” de Augusto Santos Silva, a quem chamou de “ministro da propaganda”.

O antigo deputado do Partido Socialista sempre se mostrou crítico de José Sócrates, antes e depois de ter sido detido, em novembro último.

Em 2010 disse ao Jornal de Negócios que “[José] Sócrates está no topo da pirâmide dos que dão cabo disto (…) Não tenho nada contra ele, se se limitasse a ser um vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente”.

O então presidente do partido também não foi poupado e em 2011, ao jornal i, Henrique Neto afirmou que “Almeida Santos tem culpas enormes na falta de democraticidade interna do partido. Controla tudo. Só dá a palavra verdadeiramente a quem quer, corta a palavra, diz que não há tempo...”

Quando o ex-primeiro-ministro José Sócrates foi preso, em 2014, Henrique Neto admitiu ao mesmo jornal não ter ficado surpreendido com a detenção porque “os indícios eram mais que muitos”, e lamentou que muitos socialistas “fechem os olhos” ao caso.

Henrique Neto subscreveu o manifesto "Por uma democracia de qualidade", entregue ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e que pedia uma reforma do sistema eleitoral.

Aquando a sua candidatura a Belém, o secretário-geral do PS e agora Primeiro-ministro, António Costa, disse que a candidatura de Henrique Neto lhe era indiferente, escusando-se a fazer mais comentários. "Soube pela rádio. É-me indiferente. Não tenho nenhum comentário a fazer", afirmou o líder socialista.

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