“Considero inexplicável que o vosso governo não divulgue o relatório sobre a influência russa. É inexplicável e lamentável. Vocês vão ter umas eleições e as pessoas merecem saber o que está nesse relatório”, afirmou à rádio BBC 5 Live.

Em causa está um relatório da Comissão Parlamentar de Informações e Segurança, que o governo alegou necessitar de mais tempo para analisar antes de divulgá-lo publicamente, alimentando especulação de que está a ser retido porque o conteúdo pode comprometer o Partido Conservador do primeiro-ministro Boris Johnson.

Hillary Clinton lembrou as evidências encontradas de interferência russa nas eleições presidenciais norte-americanas de 2016, na quais foi derrotada por Donald Trump, e a indícios de influência no referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia no mesmo ano.

“As pessoas [no Reino Unido] que vão votar dentro de um mês merecem saber o que está num relatório que, podemos especular, deve conter alguma coisa preocupante, senão seria publicado”, vincou.

O relatório parlamentar de 50 páginas foi enviado ao primeiro-ministro em 17 de outubro e precisa da aprovação do governo antes de ser tornado público, mas o gabinete de Boris Johnson alegou a necessidade de passar por um processo de escrutínio prévio que ainda não terminou.

O relatório baseia-se nos testemunhos de especialistas e agentes de serviços de informação britânicos e, segundo o jornal The Guardian, examina as tentativas russas de interferência na campanha do referendo sobre o ‘Brexit’, incluindo tentativas de infiltração do Partido Conservador de Boris Johnson.

No fim de semana, o jornal Sunday Times noticiou que o relatório nomeia nove empresários russos que terão feito donativos financeiros para o Partido Conservador.

Nas vésperas da dissolução do parlamento, na semana passada, o presidente da Comissão Parlamentar, o antigo conservador e atual independente Dominic Grieve, pediu a publicação do relatório antes das eleições e a questão foi objeto de um debate na Câmara dos Lordes.

Na altura, o lorde independente David Anderson afirmou que o atraso “levanta suspeitas sobre o governo e os seus motivos”.

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