Comecemos pelo princípio. O rácio do valor da circunferência pelo do diâmetro é uma constante, chamada pi (π), que é aproximadamente 3,14159. Para os amigos, 3,14. Este é só um valor aproximado - há cálculos que chegam aos 51,5 milhares de milhão de dígitos a seguir à vírgula (para ter uma amostra, pode ver, nesta página, o primeiro milhão de dígitos de pi). A natureza infinita do pi é parte do seu fascínio. Neste artigo da New Yorker, Why Pi Matters, Steven Strogatz explica mais detalhadamente todas as peculiaridades que tornam o pi fascinante, para matemáticos e não só.

O dia do Pi começou a ser comemorado em 1988. Foi escolhida a data de 14 de março porque na convenção dos EUA essa data se escreve… 3.14. E porque é, por coincidência, a data do aniversário de Albert Einstein.

O pi tem uma legião de fãs e tem sido fonte de inspiração em muitas áreas. Em 2015 assinalou-se um acontecimento raro: os números do mês, dia, ano, hora, minuto e segundo alinharam-se de forma a coincidir com os primeiros dez dígitos de pi: 3.14.15 9:26:53. Se estava distraído nessa altura, só tem de esperar mais 100 anos para sentir a magia.

Em 2014, Greg Ristow publicou a sua “Fuga em Pi”, uma pequena peça musical criada traduzindo os números de pi em graus duma escala. Pode ouvi-la aqui.

Há também quem faça competições em torno do pi - testes à memória, em que cada um dos concorrentes tenta lembrar-se de mais e mais dígitos da sequência (infinita) de pi. Pode ver aqui um vídeo com uma destas batalhas épicas, entre Matt Parker, “standup mathematician”, e Tibra Ali, do Perimetre Institute (PI).

Se é mais dado às manualidades, pode sempre escolher um destes desenhos para bordados e criar um pi feito por si. 

De volta à ciência: a NASA assinala todos os anos o dia do Pi, chamando a atenção para a importância que este número tem em incontáveis aplicações práticas das nossas vidas. Alguns exemplos nos projectos da própria NASA: o pi é usado para comandar as movimentações dos robôs que se deslocam na superfície de Marte, para cálculos dos raios laser utilizados para analisar amostras de gelo planetário, e para colocar a sonda espacial Juno na órbita de Júpiter. Se quiser tentar a sua sorte, experimente os desafios que a NASA propõe este ano.

E finalmente: que tal escrever um piema? Um piema escreve-se em ‘pilish’, que podemos traduzir por ‘piês’: neste tipo de escrita, o número de letras de cada palavra consecutiva deve respeitar a sequência de dígitos de pi. Por exemplo, para os três primeiros dígitos, 3-1-4, podíamos escrever ’Não é aqui’. Há um romance totalmente escrito em piês, de Michael Keith.  Se quiser tentar a sua sorte "piterária", pode validar o seu texto nesta página, para garantir que não se enganou na poética matemática  Segundo a BBC, em 2010 um estudante da Universidade de British Columbia analisou milhares de livros. Chegou à conclusão de que a sequência mais longa de texto que respeitava o piês era de oito dígitos. E a maioria tinha apenas três a quatro palavras consecutivas que respeitavam a sequência.

Estas são apenas algumas sugestões de comemoração. As possibilidades são como o pi: infinitas.

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