De acordo com o despacho de acusação, a que a agência Lusa teve hoje acesso, o arguido de 33 anos gizou um plano para destruir a pastelaria pelo fogo e receber o dinheiro do seguro, porque não conseguia satisfazer os seus compromissos financeiros.

A explosão seguida de incêndio ocorreu na madrugada de 09 de dezembro de 2016 numa pastelaria situada no rés-do-chão de um prédio de três pisos na freguesia de Esgueira.

O MP diz que o arguido entrou na pastelaria, desligou o sistema de alarme e cortou os cabos do sistema de videovigilância. De seguida, dirigiu-se à cozinha, abriu um dos bicos de gás do fogão e espalhou gasolina pelo chão, antes de atear fogo.

Ainda de acordo com a investigação, o arguido abandonou o local a correr, com a parte inferior do casaco em chamas, e entrou no carro, conduzindo durante cerca de dois quilómetros até parar na Estrada Nacional 109, devido às dores que sentia fruto dos ferimentos de queimaduras no corpo.

O arguido viria a ser encontrado deitado na berma da estrada, por um popular que chamou as autoridades policiais e de emergência médica, tendo sido transportado para a unidade de queimados do Hospital de Coimbra.

Durante o interrogatório judicial, o arguido negou ter ateado o incêndio, afirmando que ao sair de casa foi abordado por quatro indivíduos de identidade desconhecida que o levaram para a pastelaria, após o que se seguiu uma explosão.

Em seguida, o homem teria sido levado na sua viatura, pelos alegados sequestradores, até ao local onde veio a ser encontrado mais tarde.

No entanto, o MP diz que os indícios recolhidos contrariam esta versão, tendo concluído que foi o mesmo que dolosamente provocou a explosão no interior do estabelecimento.

O incêndio que se propagou a toda a área da pastelaria e conteúdo ali existente foi combatido por 13 homens dos Bombeiros Novos apoiados por cinco viaturas.

Como consequência da explosão todos os materiais, vidros e estruturas metálicas das montras foram projetados para o exterior, bem como os equipamentos do sistema de ventilação, atingindo seis viaturas que estavam estacionadas nas proximidades.

A explosão e o incêndio causaram igualmente estragos no edifício bem como nos edifícios limítrofes.

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