O tribunal deu como provado que o arguido criou perfis falsos na rede social Facebook de maneira a convencer menores a enviar-lhe fotografias íntimas e a exibirem o corpo nu à frente da ‘webcam’, prometendo pagar avultadas quantias em dinheiro.

O arguido, um programador informático de Sever do Vouga, chegou a ter contactos sexuais com uma das vítimas e a fazer um vídeo de cariz pornográfico.

A juíza presidente disse que, durante o julgamento, que decorreu à porta fechada, o arguido confessou “grande parte dos factos”, tendo mostrado arrependimento e procurado ajuda psicológica.

A defesa do arguido queria que este fosse condenado por um único crime de trato sucessivo, mas o tribunal entendeu que isso não se verifica, nomeadamente por haver sete vítimas distintas.

O homem foi condenado a um cúmulo jurídico de oito anos de prisão por 14 crimes de pornografia de menores, dois crimes de violação, um deles na forma tentada, e dois de coação, um dos quais na forma tentada.

Além da pena de prisão, vai ter de pagar mil euros a uma das vítimas, uma vez que já tinha indemnizado as restantes ofendidas.

“Estes factos assumem bastante gravidade e por isso esta pena foi aplicada”, disse a juíza.

O arguido foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) em outubro de 2015.

Na altura da detenção, a PJ referiu que o homem “selecionava e abordava as vítimas nas redes sociais, de forma predatória” e, depois de estabelecer uma relação de confiança, “aliciava-as a desnudarem-se perante uma ‘webcam’, a troco de contrapartidas monetárias elevadas, cujo pagamento protelava”.

Numa fase posterior, segundo a PJ, o suspeito “coagia as menores, sob a ameaça de divulgação na Internet das fotografias íntimas obtidas através daquele ‘modus operandi’, obrigando-as a despirem-se e a exibirem a zona genital”.

A investigação surgiu na sequência de denúncia do aliciamento de uma menor, de 14 anos, através da rede social Facebook.

Na sequência de uma busca à casa do suspeito, numa freguesia do concelho de Sever do Vouga, foram aprendidos dois computadores usados na atividade delituosa.

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