“De um total de 80 enfermeiros do bloco central, cerca de 90% está em greve. Durante a noite de hoje, foram requisitados 30 enfermeiros para o turno da manhã, no qual abriram sete salas de operação, mais duas da urgência”, contabilizou Rui Paixão.

Durante a manhã, mais de 40 enfermeiros estiveram concentrados às portas do Hospital.

O sindicalista disse que os enfermeiros, “embora já tenham sido chamados por alguns governantes de criminosos, não são criminosos, e estão a fazer tudo por tudo para cumprir a lei”.

Rui Paixão considerou esta requisição civil “um caminho um bocado forçado para obrigar os enfermeiros a prescindir do direito a uma greve” e disse “achar estranho o empenho que o Governo tem tido a recorrer a este tipo de instrumento quando deveria ter recorrido com o mesmo empenho a um caminho de bom senso e de acordos”.

Este responsável sindical não soube contabilizar o número de cirurgias que foram adiadas em Viseu, por causa da greve, mas sabe de “cirurgias que faziam parte dos serviços mínimos e que por situações não ligadas aos enfermeiros, porque eles estavam na sala e a cumprir o seu horário, foram canceladas”.

“Ontem foi cancelada uma neurocirurgia, aparentemente por falta de material, e, terça-feira, tenho conhecimento de uma, salvo erro, da área da gastro, porque o cirurgião determinou que às 18:15 não teria tempo de proceder ao ato cirúrgico até às 20:00, mesmo havendo disponibilidade dos enfermeiros e anestesista de, se necessário, prolongar mais tempo”, denunciou.

Rui Paixão disse ainda que não entende “porque é que desde há uns 20 anos que neste Hospital de Viseu não há cirurgias de rotina marcadas no período da tarde de sexta-feira”, uma vez que nos restantes dias da semana elas acontecem “entre as 08:00 e as 20:00”.

“Os recursos podem ser geridos de outra forma e mais eficiente e haver um aproveitamento mais eficiente dos tempos cirúrgicos, porque nem sempre são aproveitados das melhores formas por inúmeras razões, que ultrapassam a alçada dos enfermeiros e com esta greve houve até algum aproveitamento para nos dizerem que somos a pedra na engrenagem e que isso acontece por nossa culpa”, acusou.

O sindicalista acrescentou que, “durante o período da primeira greve, em quase todos os centros hospitalares, houve uma redução das listas de espera das cirurgias, nomeadamente na área da oncologia”, o que, no seu entender, “se prova que se as prioridades estiverem bem focadas há uma resposta bastante mais eficaz”.

Por outro lado, às 08:00, hora marcada para a manifestação em frente ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), não se encontravam enfermeiros concentrados à porta do edifício.

Pouco depois das 09:00, 17 enfermeiros concentravam-se à porta do CHUC, envergando uma faixa onde se lia “Basta”.

Em declarações à Lusa, o dirigente nacional do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) Nuno Couceiro referiu que a manifestação pretende mostrar que esta classe está disposta “a lutar para conseguir os seus direitos”.

Naquele hospital, que não é abrangido pela requisição civil, a adesão à greve cirúrgica deve rondar hoje “os 90%”, indicou, salientando que os enfermeiros mantêm “confiança total” nesta forma de luta, garantindo apenas a realização das cirurgias urgentes e oncológicas.

Nuno Couceiro vincou que o Sindepor não está de acordo com a hipótese de faltas ao trabalho como forma de luta, mas salientou que o sindicato vai contestar a requisição civil decretada pelo Governo, apesar de considerar que esta requisição é para cumprir enquanto estiver em vigor.

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