De acordo com a imprensa americana, a Agência Central de Inteligência (CIA) fez uma investigação e concluiu que a Rússia lançou ciberataques para ajudar a eleição de Donald Trump, e não apenas para colocar obstáculos ao curso normal das eleições. Vários políticos do Partido Democrata pediram imediatamente  que se investigue a possibilidade de interferência russa nas eleições, mas a notícia é o facto de ontem dois pesos-pesados do Partido Republicano no Congresso terem também apoiado a ideia. O influente presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, disse à imprensa que "qualquer intervenção estrangeira nas nossas eleições é completamente inaceitável". "E toda intervenção da Rússia é particularmente problemática porque, com o presidente Putin, é um país agressor que procura constantemente afetar os interesses dos Estados Unidos", apontou Ryan.

Também o presidente da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, frisou que "os russos não são nossos amigos". "Tenho a mais alta confiança na comunidade de Inteligência e especialmente na CIA", acrescentou, em conferência de imprensa.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, disse também ontem que a presidência americana defende o papel do Congresso em situações como essa. "Não é preciso ter um acesso privilegiado para entender quem beneficiou da ciberatividade maliciosa russa", disse Earnest, lembrando que o presidente Barack Obama já ordenou à comunidade de Inteligência que "reúna informação que possa ser apresentada ao Congresso".

Outros dois influentes legisladores republicanos - o ex-candidato à presidência John McCain e o senador Lindsey Graham - manifestaram o seu apoio à ideia de realizar uma investigação bipartidária. Tanto Ryan como McConnell deixaram claro que se opõem à criação de uma "supercomissão", como aconteceu com o escândalo de Watergate, ou com os ataques de 11 de Setembro, em 2001,  composta por legisladores das duas Câmaras.

Além disso, dez dos 538 grandes eleitores que elegeram Trump pediram às agências de Inteligência mais informação sobre os supostos ciberataques russos na campanha. Nove deles são democratas. A interferência russa teria estado por trás da invasão dos sistemas de email do Comité Nacional Democrata e do chefe de campanha da candidata presidencial Hillary Clinton, John Podesta.

Estes dez grandes eleitores lançaram ontem um apelo ao diretor Nacional de Inteligência, James Clapper, no sentido de exigir que lhes seja entregue toda a informação sobre os ciberataques russos durante a campanha eleitoral. Numa carta aberta a James Clapper pediram expressamente que seja entregue toda a informação sobre as "interferências do governo russo nas eleições". "Pedimos uma reunião de informação sobre o resultado de todas estas investigações porque estes temas têm impacto direto sobre as nossas deliberações para determinar se Trump está apto para exercer a função de presidente dos Estados Unidos", escreveram estes dez grandes eleitores.

Horas mais tarde, o chefe da equipa de campanha de Clinton, John Podesta, apoiou o pedido incomum. "A nossa equipa denunciou a interferência dos russos na nossa campanha, assim como o seu objetivo aparente de prejudicar a nossa campanha e ajudar Donald Trump", declarou Podesta num comunicado.

Donald Trump obteve 46,2% dos votos em nível nacional, contra 48,2% para Clinton, mas conquistou 306 grandes eleitores, contra 232 para a candidata democrata. São estes grandes eleitores que, na próxima semana, a 19 de dezembro ratificarão de forma definitiva a eleição de  Donald Trump como presidente.

Por seu lado, Trump voltou a minimizar a possibilidade de os serviços de Inteligência terem informações concretas sobre a participação russa. "A menos que capturem um 'hacker' no ato, é muito difícil determinar quem realizou o ciberataque", escreveu no Twitter o presidente eleito.

O porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, também já reagiu e classificou as denúncias como "gratuitas" e "não profissionais".

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