O ciclone Idai passou no passado dia 14 pelo sudoeste do continente africano, causando pelo menos 293 mortes em Moçambique, 259 no Zimbabué e 56 no Maláui, sendo este um balanço provisório. Só em Moçambique cerca de 400 mil pessoas foram afetadas.

O balanço provisório do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades dá ainda conta de 2.867 salas de estudo danificadas, atingindo quase 90 mil alunos. 43 unidades sanitárias foram também afetadas, assim como 385.364 hectares de culturas mais de 30 mil habitações — metade das quais completamente destruídas.

"Temos um número de 293 mortos, mas acreditamos que o número vai subir", referiu Carlos Agostinho do Rosário, uma semana depois de o ciclone ter atingido Moçambique.

"Estamos no terreno. Em Buzi verificou-se que estavam ainda pessoas nos tetos e nas bancadas de campos de futebol", acrescentou.

"O desafio é libertar as populações", que ainda se encontram sitiadas, referiu o primeiro-ministro.

A informação atualizada do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) aponta ainda para 1.511 feridos.

Há 109 locais de acolhimento onde estão 89.000 pessoas (classificadas como "pessoas salvas") nas províncias de Sofala, Manica, Tete e Zambézia - sendo que a maioria (62.000) corresponde a Sofala.

Segundo o INGC, estima-se que haja ainda 347 mil pessoas em risco, mais de metade nos distritos de Buzi e Dondo.

Os meios alocados para as operações de socorro correspondem a 120 especialistas em busca e resgate, 11 helicópteros e 29 barcos.

Há ainda no dispositivo dois aviões, duas fragatas, oito camiões e 30 telefones satélite.

A cidade moçambicana da Beira foi uma das mais afetadas e a ONU alertou para a existência de cerca de 400.000 pessoas desalojadas, que precisam de ajuda urgente, avaliada em mais de 35 milhões de euros.

Mais de uma semana depois da tempestade, milhares de pessoas continuam à espera de socorro em áreas atingidas por ventos superiores a 170 quilómetros por hora, chuvas fortes e cheias, que deixaram um rasto de destruição em cidades, aldeias e campos agrícolas.

Portugal é um dos países que enviaram técnicos e ajuda para Moçambique, com dois aviões C-130 da Força Aérea a caminho da Beira e um terceiro, um avião comercial fretado, com partida prevista para hoje, seguindo-se um outro voo na segunda-feira, fretado pela Cruz Vermelha Portuguesa.

(Notícia atualizada às 17h45)