Falando na comissão parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, lembrou que uma das medidas adotadas pela Infraestruturas de Portugal (IP) para evitar a destruição ou a danificação das ligações - como aconteceu nos incêndios de Pedrógão Grande e noutros concelhos da região centro, no ano passado, e na serra de Monchique, este ano - foi a “disponibilização de condutas enterradas”.

“Há uma operadora que já avançou com um contrato concreto, a Meo, que contratou o enterramento de cerca de mil quilómetros nas zonas mais críticas”, indicou o governante, que estava a ser ouvido no âmbito de um requerimento do PCP.

Pedro Marques aludiu, assim, ao protocolo celebrado entre a Altice, dona da Meo, e a IP no final do ano passado para que a operadora possa usar condutas desta empresa pública para enterrar os elementos de rede, os cabos.

Ainda assim, o Governo espera ter “mais 275 quilómetros de cabos nas condutas concluídos este ano”.

A expectativa de Pedro Marques é que “outros operadores” adiram a esta solução.

Em outubro de 2017, a Altice/PT anunciou que iria começar a enterrar os cabos que suportam as suas redes de comunicações fixas e móveis na região do Pinhal Interior, a zona afetada pelos incêndios de Pedrógão Grande.

Na altura, a operadora já tinha a ambição de estender esta solução de enterramento a mais locais do país.

Os elementos de rede a enterrar suportam as diversas redes da Altice/PT, quer móveis, quer fixas, e em determinados traçados suportam também comunicações que pertencem à rede de emergência nacional.

A rede da Altice em Portugal tem uma extensão de 77 mil quilómetros em traçado aéreo e é em parte desse traçado que se pretende ir promovendo um enterramento, passando de cabos assentes em postes para cabos enterrados em condutas da IP existentes ao longo das principais estradas do país.

Na comissão parlamentar de hoje, Pedro Marques admitiu que “a situação do ano passado”, no que toca às ligações danificadas, “foi extrema, desde logo pelos clientes afetados”.

Além disso, “o tempo que decorreu para a reposição das comunicações é longo”, considerou o governante.

Na sua intervenção inicial, Pedro Marques tinha referido que 100 clientes ainda aguardam a reposição das ligações após os incêndios do ano passado, das quais 20 tinham reposições agendadas, 40 tinham recusado as propostas das operadoras e outras 40 estavam incontactáveis.

Porém, no final da audição, o ministro corrigiu estes números, que são transmitidos ao executivo pela Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) e datam do dia 07 de setembro.

No início de setembro eram, assim, 103 comunicações por repor, sendo que em 41 destes casos houve “recusa por parte do cliente”, em 39 as pessoas estavam incontactáveis e as restantes 20 estão “em lista de espera para instalação”.

O grande incêndio de junho de 2017 afetou sobretudo a zona de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, enquanto os grandes fogos de outubro assolaram vários outros concelhos da região Centro.

Já o incêndio rural de Monchique, que destruiu perto de 28 mil hectares, deflagrou em 03 de agosto passado e foi dado como dominado uma semana depois, no dia 10. Atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

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