Contactada hoje pela Lusa, fonte do gabinete de imprensa do MAI disse que o processo do relatório tem de seguir “o seu circuito institucional”, tal como aconteceu com o relatório de Pedrógão Grande.

Agora o documento está na Assembleia da República e depois o ministro irá ao parlamento e só depois haverá comentários, explicou a fonte.

A Comissão Técnica Independente (CTI) sobre os incêndios concluiu que falhou a capacidade de "previsão e de programação" para "minimizar a extensão do incêndio" na região centro, que fez 48 mortos.

"Era possível encontrar soluções prévias de programação e de previsão que pudessem ter amenizado o que foi a expansão do incêndio", afirmou João Guerreiro, o presidente da comissão, em declarações aos jornalistas, na terça-feira no parlamento.

Para João Guerreiro, apesar de se estar em outubro, fim da época de incêndios, havia possibilidades de minimizar os efeitos dos incêndios, a 14, 15 e 16 de outubro de 2017.

Apesar de admitir que, "a partir de certa altura, não era possível dominar aquele incêndio", João Guerreiro advertiu que havia "instrumentos e capacidade para minimizar aquilo que foi extensão do incêndio", sublinhando existirem previsões meteorológicas a alertar para condições de temperatura elevadas e vento.

Segundo o relatório, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) pediu um reforço de meios para combater incêndios em outubro de 2017 devido às condições meteorológicas, mas não obteve “plena autorização a nível superior”.

“Na audição ao segundo comandante operacional nacional, que à data desempenhava interinamente as funções de comandante operacional nacional, foi-nos referido que, atendendo às condições meteorológicas que se previam, deveria haver um conjunto de reforço de meios, que foram solicitados, mas que nem todos obtiveram, por diversas razões, plena autorização a nível superior”, refere o documento.

Quando deflagraram os incêndios, o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) estavam em “plena fase Delta, em que os meios disponíveis e a capacidade instalada é francamente menor do que a prevista e planeada” para a fase Charlie, que costuma decorrer entre 01 de julho e 30 de setembro.

A comissão técnica independente considera ainda que o panorama vivido nesses dias traduziu-se “numa situação de dramático abandono, com escassez de meios, ficando as populações entregues a si próprias”.

O documento indica que “por momentos iniciais” foram cumpridas as determinações fixadas nas diretivas.

“Mas rapidamente se verificou não haver possibilidade de manter a estratégia teoricamente fixada, sobretudo devido a duas razões: dificuldade de mobilizar forças suficientes perante o número de ignições que se sucediam em áreas de grande dimensão e impossibilidade de dar uma resposta a todos os incêndios por parte dos corpos de bombeiros”, sublinha o relatório.

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