"Concentrem-se mais em resolver os problemas do país e menos em fazer campanha eleitoral que ainda vem longe. Perto está um verão tardio, propício a fenómenos extremos e imprevistos. Saibamos antecipá-los e, sem triunfalismos, evitar que se multipliquem as ditas exceções", recomendou David Justino.

Em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, o ‘vice' social-democrata acusou o Governo de "falta de recato e humildade" e "grande precipitação" na forma como encarou o incêndio de Monchique, criticando declarações do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna que justificaram, disse, que o Presidente da República tenha apontado que não se justificam "triunfalismos".

"Houve uma evidente falta de coordenação e de estratégia no combate aos fogos de Monchique. Houve estratégia de comunicação a mais e estratégia de combate a menos", defendeu.

David Justino disse querer analisar, com zelo, a "fita do tempo" de Monchique, mas adiantou que não houve falta de meios, tendo existindo antes, descoordenação na sua utilização, apontando que "o facto de se dar prioridade ao acolhimento de pessoas em risco, não dispensa que outras forças que estavam disponíveis pudessem continuar a combater o fogo".

"Uma coisa não exclui a outra, e essa estratégia poderá ter falhado nisso", argumentou, assinalando ainda que não foi explicada a transferência para o comando nacional, que considerou tardia.

David Justino analisou, com minúcia, uma série de intervenções públicas do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna, começando por assinalar que a ausência de vítimas mortais "deve ser a situação normal", que "não justifica as manifestações de júbilo e de vitória", como a de Eduardo Cabrita, que considerou "uma grande vitória".

"Este Governo não tem a ambição de fazer bem, contenta-se com o mal, sugerindo sempre que poderia ter sido pior. Com estas manifestações, o Governo pretende apenas ocultar o que está à vista de todos: Portugal é já o recordista do maior fogo registado este ano na Europa, mas também o que tem a maior área ardia", acusou.

David Justino referiu-se também à afirmação de António Costa sobre Monchique ser a exceção que confirmava o sucesso da operação ao longo daqueles dias e também ao comunicado que enviou às redações apontando descontextualização dessa expressão.

"Não há qualquer deturpação ou descontextualização das suas palavras, o que há é uma expressão infeliz que não é própria de um primeiro-ministro. Não se pode atribuir a fatores climatéricos as razões do que corre mal e à boa ação do Governo tudo aquilo que corre menos mal", defendeu.

Para o PSD, houve "falta de recato" ao fazer tais afirmações "no auge do combate ao incêndio", bem como falta de humildade e precipitação, dado o "verão tardio".

O mesmo recato e humildade que aconselhariam o primeiro-ministro a "não se deixar fotografar e colocar imagens nas redes só para comprovar que está a par dos acontecimentos", prosseguiu David Justino.

O PSD apontou ainda para as declarações do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, que, ao terceiro dia de incêndios, disse que o que estava acontecer prova que o "trabalho valeu a pena e produziu resultados", bem como os elogios deixados ao comandante distrital e à coordenação de meios na mesma ocasião em que anunciava a sua substituição.

"A mesma falta de humildade se verifica no apelo ao crime dos que defendem uma visão diferente da estratégia do Governo, nomeadamente quanto este desvaloriza o papel da autodefesa por parte dos residentes, capazes e conhecedores do território", defendeu.

Ressalvando não se estar a referir a "pessoas com dificuldade de mobilidade ou de capacidade de reação em caso de crise", David Justino considerou que a ideia de autodefesa pelas populações poderia "ser uma ideia sem sentido, mas daí a rotular-se de apelo ao crime, vai uma grande distância".

"Como podemos ter confiança nos governantes que assim se comportam, em que a soberba e o autoelogio andam sempre de mãos fadadas?", questionou.

O incêndio rural, combatido por mais de mil operacionais e dado como dominado na sexta-feira de manhã, deflagrou no dia 03 à tarde, em Monchique, distrito de Faro, e atingiu também o concelho vizinho de Silves, depois de ter afetado, com menor impacto, os municípios de Portimão (no mesmo distrito) e de Odemira (distrito de Beja).

[Notícia atualizada às 13:58]

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