Em declarações à agência Lusa, o presidente da concelhia do PSD, Ricardo Aires, que é também presidente da Câmara Municipal local, disse que a distribuição dos fundos de apoios a 100% para uns municípios e a 60% para outros, como Vila de Rei, representa um "tratamento completamente discriminatório entre territórios, entre pessoas e entre agentes económicos, em função da data em que foram assolados pelos incêndios, bem como pela sua sede ou morada".

Os incêndios de 2017 devastaram 7.300 hectares em Vila de Rei, cerca de 40% de área florestal do município, com prejuízos "bastante avultados" para a autarquia, um concelho que, afirmou Ricardo Aires, "continua a ser deixado para trás e esquecido, com um tratamento desigual em relação às populações de outros concelhos" igualmente afetados pelos incêndios.

"Não pode haver portugueses de primeira e portugueses de segunda e é isso o que está a acontecer com esta distribuição dos apoios de 50,6 milhões de euros do Fundo de Solidariedade da União Europeia", criticou.

Questionado sobre um eventual pedido de retificação ao Governo na distribuição dos apoios ou sobre uma eventual ação judicial a interpor, a exemplo do que o município de Mação anunciou estar a ponderar, Ricardo Aires disse à Lusa "não valer a pena" fazer apelos ao Governo ou ao Presidente da República.

"Depois de fazermos chegar as nossas reivindicações a quem de direito e ninguém nos ligar, já nem vale a pena fazer apelo nenhum" afirmou, tendo defendido que, agora, "o importante é que as gentes de Vila de Rei e a população portuguesa saiba desta discriminação de que estão a ser vítimas".

Em comunicado, o autarca e líder da concelhia dos sociais-democratas criticou a "discriminação para com as empresas, designadamente as de cariz florestal, e as pessoas, a grande maioria possuidora de minifúndios, que viram os seus bens destruídos, não tendo os mesmos auxílios que os seus vizinhos de concelhos limítrofes, designadamente no que diz respeito aos subsídios diretos a fundo perdido até cinco mil euros".

O facto de os municípios afetados pelos incêndios de Pedrógão Grande terem tido direito a apoios a 100% para recuperação das suas infraestruturas é sublinhado no mesmo comunicado, frisando Ricardo Aires que "outros apenas obtiveram 60% desses mesmos apoios", uma situação que o autarca afirma ter "tanto de discriminatório como de inadmissível".

Ricardo Aires lembrou ainda a aprovação por unanimidade e recomendação ao Governo para a inclusão de Vila de Rei, bem como de outros concelhos, no projeto-piloto de reflorestação estabelecido para os territórios afetados pelos incêndios de Pedrógão Grande.

"Estamos à espera que tal recomendação seja colocada em prática pelo Governo", disse o social-democrata, acrescentando não compreender "as desculpas de incapacidade financeira por parte do Governo para dotar o concelho de Vila de Rei de cadastro florestal".

Segundo Ricardo Aires, aquele município continua a ser "o único território da região sem esse importantíssimo instrumento de gestão" territorial.

"Continuamos a ser deixados para trás, esquecidos, e tal tratamento é algo que não poderemos aceitar nunca", concluiu.

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