"Não consigo encontrar explicação", disse Tomás Correia no parlamento sobre os 'Boats Caravela', uma operação que gerou perdas de 340 milhões de euros para o banco público.

Tomás Correia, ouvido na segunda comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da CGD, disse que não foi ele quem sugeriu a operação, e que o conselho de administração não sabia do risco na mesma.

"Nunca o risco apercebido por alguém permitia a partir das apresentações que foram feitas antecipar qualquer perda dessa natureza. Nunca", garantiu o atual presidente da Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG).

Os 'Boats Caravela' foram um instrumento financeiro investido pela Caixa que implicava troca de ativos, mas acabou por dar hipótese contratual à contraparte do negócio (o Credit Suisse First Boston) de colocar nos ativos trocados produtos financeiros de baixa qualidade, que desvalorizaram e geraram perdas de 340 milhões de euros para o banco público.

O gestor acrescentou que "se fosse possível a partir das apresentações ver um risco dessa natureza" a operação "não se fazia".

Tomás Correia disse ainda não perceber como é que a Caixa "não discute esse tema em tribunal até às últimas consequências".

"A Caixa até podia perder", afirmou, mas "uma coisa destas vale uma discussão até às últimas consequências em qualquer tribunal do mundo".

"Não percebo porque é que pagámos e calámos", declarou Tomás Correia.

O deputado do PS João Paulo Correia disse então que "ninguém no país acredita" no que o presidente do Montepio estava a dizer, citando documentos da CGD que diziam que o banco público não tinha identificado "qualquer análise efetuada pela direção de risco e jurídica".

"Se calhar ninguém sabia o que estava a assinar", disse João Paulo Correia citando o ex-presidente da Caixa António de Sousa, que usou as mesmas palavras na comissão de inquérito.

"Não estou a dizer que a culpa é do tesoureiro, mas que houve uma grande distração, não tenho dúvida que houve", admitiu Tomás Correia.

O gestor disse ainda que "há um erro monumental em aceitar" as cláusulas que permitiram trocas que geraram perdas.

"Nunca ninguém enunciou ou deixou antever qualquer possibilidade da contraparte poder depois trocar ativos a seu bel prazer", asseverou.

Mais tarde, questionado pela deputada do CDS-PP Cecília Meireles sobre quais as vantagens das operações 'Boats Caravela', o gestor disse que "no âmbito da gestão de tesouraria (...) evitar provisões de 25 milhões de euros não é uma coisa despicienda".

"Eram cinco milhões de contos em 1999, há 20 anos, uma quantia bastante significativa", lembrou o gestor.

Tomás Correia disse que a operação foi apresentada à administração da CGD "como uma espécie de 'swap' [troca] de ativos, mas sem que a contraparte pudesse alterar os ativos como lhe aprouvesse".

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