Em declarações à agência Lusa, a investigadora do centro da Universidade do Porto Narcisa Bandarra explicou hoje que o estudo, publicado na revista Food & Function, surge do reconhecimento do potencial nutricional da microalga ‘Aurantiochytrium sp’.

“Tentamos valorizar esta biomassa em diferentes vertentes e pareceu-nos ser uma possibilidade na vertente alimentar, em particular, na produção do iogurte magro”, afirmou Narcisa Bandarra, também responsável pela divisão de aquacultura, valorização e bioprospeção do IPMA.

A obtenção de ácidos gordos do tipo ómega-3, como o acido docosahexaenóico (DHA), na alimentação humana está dependente da inclusão de peixe.

O DHA é um ácido gordo bioativo com benefícios para a saúde cardiovascular e neurológica.

Alimentos ricos em DHA provenientes de fontes alternativas ao peixe representam um benefício para a saúde, mas também um "contributo para a sustentabilidade do planeta".

“Temos de encontrar fontes alternativas porque percebemos que, de facto, alguns recursos piscícolas podem estar comprometidos em termos futuros”, referiu a investigadora.

Tendo por base o potencial nutricional da microalga ‘Aurantiochytrium sp.’, em especial o seu teor em DHA, os investigadores mostraram a viabilidade de um alimento “funcional inovador preparado a partir de iogurte magro”.

“Claro que o peixe é a fonte de excelência destes ácidos gordos, mas esta microalga é uma fonte muito rica em gordura, em particular no DHA”, disse, acrescentando que esta biomassa atinge 30% de DHA e 60% de teor de gordura.

Os investigadores avaliaram também o valor nutricional deste novo alimento, a que intitularam de iogurte AURA, e determinaram que a digestibilidade e bioacessibilidade dos seus componentes bioativos são substanciais, “apesar de ainda existir clara margem de progressão”.

No estudo, os investigadores mostraram ainda que o consumo diário de 125 mililitros (ml) deste iogurte pode “ser recomendado como fonte de uma grande parte dos benefícios de DHA para a saúde humana”.

Além do CIIMAR e do IPMA, neste estudo participaram também investigadores da Universidade de Aveiro e do Politécnico de Leiria.

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