“Sou candidato à Câmara de Oeiras nas próximas eleições autárquicas e tomei esta decisão porque o povo de Oeiras, os eleitores, os cidadãos de Oeiras praticamente exigiram que eu fosse candidato”, disse.

"Não quis tomar uma decisão mais cedo porque quanto mais tarde se entra no debate eleitoral mais estabilidade há no município. A partir do momento em que são anunciados todos os candidatos, não se vai dar azo a 'porquês' de eu me candidatar", justificou.

Em setembro de 2016, Isaltino Morais confirmou que foi convidado pelo PSD para integrar as listas do partido numa candidatura a Oeiras, mas recusou a proposta.

Desde essa altura que o ex-autarca manteve o ‘suspense’ sobre o seu regresso à vida política local e, em fevereiro, disse à Lusa que a sua decisão estava dependente do nome que seria apresentado pelo PSD.

Agora que é conhecido o candidato social-democrata – o vereador Ângelo Pereira -, Isaltino Morais confirmou que será candidato à presidência da Câmara de Oeiras, no distrito de Lisboa.

"Tinha expectativa em relação ao PSD, por ser um partido liderante, mas curiosamente não parece arranjar candidatos às câmaras municipais. O PSD não tem mostrado vocações para as câmaras municipais", considerou.

Isaltino Morais prometeu devolver o "orgulho oeirense", dar voz aos munícipes e fazer com que Oeiras "volte a ser uma referência".

"É como se fosse o primeiro dia da minha vida como autarca. E tudo isto tem a ver com afetos, com os sentimentos das pessoas. A minha maior qualidade talvez seja essa: gostar das pessoas e de as ouvir", afirmou.

O ex-autarca, eleito pela primeira vez em 1985 pelo PSD e que depois se tornou independente, abandonou o executivo quando foi detido, a 24 de abril de 2013, para cumprir dois anos de pena de prisão, por fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Um ano depois, a 24 de junho de 2014, Isaltino Morais saiu em liberdade condicional para cumprir o resto da pena em casa e, em 2015, publicou um livro a contar a sua experiência na prisão, excluindo a possibilidade de regressar à vida política.

Figura incontornável da história de Oeiras, Isaltino Morais vai agora defrontar, entre outros, o seu antigo número dois, Paulo Vistas.

Paulo Vistas assumiu a presidência após a detenção de Isaltino Morais e foi eleito, em 2013, pelo movimento criado pelo seu antecessor, Isaltino Oeiras Mais à Frente (IOMAF).

O atual presidente da Câmara de Oeiras, que já anunciou a sua recandidatura, reconheceu, em abril, que Isaltino Morais foi o melhor autarca que o concelho já teve, mas não deveria regressar à vida política.

O corte de relações entre os dois ficou assumido no início de março, quando Paulo Vistas, na apresentação oficial da sua candidatura, disse representar o movimento independente IOMAF, mas retirando o nome de Isaltino Morais da designação, substituindo o ‘i' por "independentes".

Isaltino Morais considerou a situação "incompreensível e absurda" e acusou Paulo Vistas de "tentar confundir as pessoas".

Hoje, assume-se desiludido com a governação de Paulo Vistas: "É indiscutível que Oeiras deixou de ser falada. Se eu estivesse satisfeito [com a atual governação] não me candidatava, isso é evidente. Aquilo que verifico é um apelo extraordinário das pessoas para que me candidate", sublinhou.

Sobre o nome do movimento independente que irá encabeçar, disse que ainda não está escolhido: "Será um nome claro de que o que pretendo é devolver a identidade a Oeiras e tornar o concelho numa referência nacional”.

Eleito pela primeira vez em 1985, pelo PSD, Isaltino Morais conseguiu renovar os mandatos de 1989 até 2009, apenas com uma interrupção de três anos. Durante parte deste período, foi ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente.

Foi candidato pelo PSD pela última vez em 2001, quando venceu as autárquicas com 55% dos votos. Enquanto líder do IOMAF - depois da rutura com o partido -, foi eleito com cerca de 34% da votação em 2005 (quando era arguido num processo judicial, acusado de corrupção passiva, branqueamento de capitais, abuso de poder e fraude fiscal) e com 41,52% em 2009, já condenado a sete anos de prisão.

Após vários recursos, viu a pena ser reduzida para dois anos pelos crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal.

O caso teve origem em contas bancárias na Suíça e na Bélgica não declaradas ao fisco e ao Tribunal Constitucional. A acusação alegava que o autarca aproveitava as contas de uma ex-secretária e de um sobrinho na Suíça, taxista, para ocultar avultadas quantias.

O Ministério Público indicava, por exemplo, que tinha depositado mais de 1,32 milhões de euros em contas na Suíça quando, entre 1993 e 2002, auferiu 351.139 euros enquanto presidente de câmara.

Isaltino declarou em tribunal que a sua irmã e o sobrinho é que aproveitaram uma conta sua para guardar dinheiro e justificou depósitos seus com alienações de património próprio, investimentos, heranças e sobras de campanhas.

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