Os dados da participação nas eleições não podem ser comparados com os da última votação, em 2013, porque aquela decorreu em dois dias e não num só, como a eleição que ocorre hoje.

Os próximos dados oficiais da participação na votação vão ser comunicados a partir das 19:00 locais (menos uma em Lisboa) e as 23:00 locais, hora a que fecham as urnas.

Depois começara o escrutínio, começando com os votos para o Senado e depois para a Câmara dos Deputados.

Até ao momento votaram o presidente da República, Sérgio Mattarella, em Palermo, o primeiro-ministro em funções, Paolo Gentiloni, em Roma, os ex-primeiros-ministros Matteo Renzi e Silvio Belusconi, em Florencia e Milão, respetivamente, além do líder do Movimento Cinco Estrelas, Luigi di Maio, no município de Pomigliano d’Arco, em Nápoles.

A Itália vota hoje para eleger um novo parlamento com a coligação da direita com a extrema-direita a liderar as sondagens, mas de resultado incerto dado o complexo sistema eleitoral e milhões de eleitores indecisos.

Mais de 46 milhões de italianos votam hoje até às 23:00 locais nas eleições que servirão para eleger os 630 deputados e 315 senadores gerais.

A votação do ex-primeiro ministro de Itália, Silvio Belusconi, ficou marcada por um protesto de uma ativista do grupo Femen, que subiu para uma mesa em tronco nu enquanto gritava “Berlusconi, o teu tempo acabou”.

Ao ver a ativista, que tinha a mesma frase escrita no peito, Berlusconi virou-se e foi conduzido para fora da sala pelo pessoal de segurança.

Berlusconi, controversa figura política no país, não pode assumir nenhum cargo público até 2019, devido a uma condenação por fraude fiscal.

Em Palermo houve um erro nos boletins de voto que causou atrasos e obrigou alguns eleitores a aguardar para votar: Em 200 mil boletins de voto alguns nomes dos candidatos não estavam corretos.

O novo sistema eleitoral em vigor em Itália é uma complexa mistura entre os sistemas proporcional e maioritário, fazendo com que, para ter maioria no parlamento, um partido ou coligação precise de 40% dos votos, segundo uns especialistas, 45%, segundo outros.

Itália proíbe a divulgação de sondagens nas duas semanas antes do voto, mas nas últimas publicadas, a aliança entre a Forza Italia (FI), do polémico ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, e a extrema-direita anti-imigração e eurocética da Liga (antiga Liga do Norte), de Matteo Salvini, e dos Fratelli d’Italia, de Giorgia Meloni, liderava com entre 37% a 38% das intenções de voto.

A seguir surgem o populista Movimento 5 Estrelas (M5S), de Luigi Di Maio, com cerca de 28% das intenções de voto, e a coligação de centro-esquerda encabeçada pelo Partido Democrata (PD, no poder), de Matteo Renzi, com 26% a 27%.

A campanha eleitoral foi dominada pelo discurso anti-imigração, em alguns casos xenófobo e racista, num país envelhecido e em crise económica que recebeu nos últimos quatro anos 600.000 imigrantes africanos.

As assembleias de voto abriram hoje às 07:00 em Itália (06:00 de Lisboa) e assim permanecerão até às 23:00 locais (22:00 de Lisboa).

Tendo em conta a complexidade do novo sistema eleitoral, espera-se que só na madrugada de segunda-feira haja uma ideia da composição do próximo parlamento italiano.

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