No Twitter, um utilizador identificou João Galamba num comentário que fazia referência ao seu nome, depois da emissão de um programa do 'Sexta às 9', da RTP, sobre o caso Zmar e os imigrantes em Odemira. "Todas as semanas abro uma garrafinha do @Joaogalamba e sento-me a ver o estrume por ele produzido", pode ler-se em registo partilhado pelo Observador.

Por sua vez, o secretário de Estado Adjunto e da Energia respondeu — e depois apagou o comentário assim que noticiado. "Lamento, mas estrume só mesmo essa coisa asquerosa que quer ser considerada 'um programa de informação'. Mas se gosta desse caso psicanalítico em busca da sua expiação moral, bom proveito".

O canal publicou uma nota na página de Facebook do programa 'Sexta às 9' onde refere que "a Direção de Informação da RTP repudia as declarações expressas pelo secretário de Estado Adjunto e da Energia João Galamba".

"As palavras que proferiu atentam contra o bom nome da RTP e da sua jornalista Sandra Felgueiras e desrespeitam a liberdade de Informação. Vindas da parte de um membro do governo assumem particular gravidade. Mas nem por isso condicionarão o trabalho dos jornalistas da RTP", pode ler-se.

O Sindicado dos Jornalistas (SJ) também se manifestou quanto ao sucedido, dizendo repudiar "a forma como o Secretário de Estado da Energia se referiu ao programa".

Na mesma nota pode ler-se que "o SJ lembra que a liberdade de expressão não justifica tudo e considera que uma pessoa com as responsabilidades governativas e públicas de João Galamba deveria ser a primeira a perceber que um ataque à liberdade de imprensa é um ataque à democracia".

"O SJ não contesta o direito a opinar que assiste ao Secretário de Estado. O sindicato lamenta, sobretudo, a falta de cultura democrática que leva um governante, na rede social Twitter, a classificar de “estrume” um programa informativo do qual não gosta. O SJ considera ainda que o facto do governante ter retirado o comentário, não apaga a gravidade do mesmo", é referido.

Na sequência do episódio do programa sobre o Zmar e do comentário de João Galamba, o líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, insistiu na demissão do ministro Eduardo Cabrita e estendeu o pedido ao secretário de Estado João Galamba, acusando-os de “indignidade institucional”.

“Senhor primeiro-ministro, dê um duplo jackpot ao país e livre-se de Eduardo Cabrita e João Galamba, porque eu tenho a certeza de que não se revê nestas faltas de educação e na indignidade institucional que estes membros do Governo estão a revelar”, afirmou no domingo, na sessão de encerramento do X Congresso Regional do CDS-PP/Açores, em Angra do Heroísmo.

Francisco Rodrigues dos Santos, que já pediu por várias vezes a demissão do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, na sequência da requisição civil no Zmar, em Odemira, estendeu agora esse pedido ao secretário de Estado da Energia, João Galamba, acusando-o de ter atacado “de forma ordinária” um canal de televisão.

“João Galamba, qual ‘hater’, tornou-se um 'cowboy' do teclado no seu Twitter. Se há uns anos avisava, por SMS, um ex-primeiro-ministro de um processo judicial, agora destila ódio constantemente nas suas redes sociais”, disse, acrescentando que “um secretário de Estado que não percebe que sem jornalismo, mesmo que incómodo, não há democracia é um secretário de Estado que está a mais e tem de sair imediatamente deste Governo”.

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